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segunda-feira, 27 de outubro de 2014

F1 - Uma crise mais grave do que se pode imaginar.

foto: XPB Images
Foi confirmado hoje que a Marussia está na "corda bamba". A equipa anunciou a falta de investimento do principal accionista, o que coloca a equipa numa situação complicada. A Marussia não irá para os EUA, juntando-se assim à Caterham neste triste lote. Serão menos 4 carros no grid no próximo fim-de-semana. A participação nas últimas provas do ano para estas duas equipas está seriamente colocada em risco. Mas a situação pode ser bem mais grave.

Os problemas financeiros da F1 já são há muito falados e podem parecer anedóticos quando se fala de uma modalidade que movimenta milhões. Mas tal como no resto do mundo, o grande defeito da F1 é ter o poder demasiado concentrado e esse poder apenas ver uma coisa… o seu próprio proveito. Já há muito que batalho neste tema e a conclusão é sempre a mesma. Quem manda tem de dar lugar a sangue novo, ideias novas. Pois o que se está a passar agora é apenas a ponta do Iceberg.

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Ferrari - Hora de mudança!


foto: XPB images
É hora de mudar, os resultados estão a vista e não são nada positivos para a scuderia italiana. Ocupa o 4º lugar no mundial de construtores e apenas conseguiram fazer dois pódios com o suspeito do costume, Fernando Alonso. Aliás o espanhol parece ser o único que passa um bocado ao lado dá época miserável da Ferrari em 2014. Tem 133 pontos e ocupa o 4º lugar no mundial de pilotos. É certo que não é brilhante e nem é o lugar desejado do espanhol mas certamente que com este Ferrari que mal dá para os “gastos”, um quarto lugar não é nada mau.

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Um capricho ou um projecto?

Foto: Sauber
Eu bem sei que o dinheiro na F1 é um bocado tabu, toda a gente sabe que funciona muito graças a ele mas ninguém o quer dizer para proteger o brilhantismo da modalidade. Já não ficamos surpreendidos, embora revoltados, quando um piloto compra um lugar numa equipa de F1 graças ao que os seus patrocínios podem oferecer a nível monetário as respetivas equipas, começou a ser tão habitual que agora é quase banal.
O que venho escrever hoje, é diferente embora esteja de uma certa forma interligada.

terça-feira, 9 de setembro de 2014

Vettel descontente na Red Bull?

Foto: XPB Images
Surgiu hoje em alguns meios de comunicação que Daniel Ricciardo pediu o estatuto de Piloto nº1 para o resto da época, uma vez que está melhor classificado e tem tido prestações superiores ao seu colega de equipa.

Não é novidade que a Red Bull está encantada com os desempenhos de Ricciardo que têm sido nada menos que brilhantes. O australiano vinha com o rótulo de nº2 mas cedo tratou de calar quem lhe colocou esse rotulo (eu inclusive).
Quem está francamente desagradado é Vettel, como é óbvio. O Tetra campeão do mundo está simplesmente a ser esquecido e não se deve sentir bem pois em abono da verdade… ele ainda é o campeão em título. O alemão chegou a desabafar a uma tv espanhola dizendo que “ a tv espanhola tem mais fé em mim que a minha própria equipa”.  Não é muito habitual ver Vettel fazer comentários destes mas o descontentamento vai aumentando e se calhar com isso aumenta a vontade de sair da Red Bull. O Mágico Newey não estará em 2016, a equipa parece agora um pouco mais inclinada para Ricciardo… tudo são motivos para Seb ponderar se deve ficar ou não. E a McLaren quer contratar um nome sonante para agradar a Honda.

Foto: XPB Images
Comparando o desempenho dos pilotos Vettel tem estado ao mesmo nível nas qualificações mas tem levado “coça da antiga” em corrida. Em 13 corrida apenas conseguiu ficar por 2 vezes na frente do “Sr Sorrisos”. Será que se deve censurar a Red Bull por agora “pender” um pouco mais para o australiano? Claro que não, tem sido melhor e tem conquistado a equipa com todo o mérito. Demérito de Vettel que não se conseguiu adaptar ao novo carro. E o alemão não se pode queixar de falta de apoio. Marko e Horner sempre o trataram muito bem e o defenderam de tudo. Mais ainda, Seb terá o 4º (!) chassis em Singapura. Como se pode ver a equipa não o tem ignorado. É provável que seja jogo para a equipa lhe dar algo mais de forma a diminuir o descontentamento, ou então é mesmo um pré anuncio de saída.

A McLaren poderá usar esse descontentamento para convencer o alemão a ingressar na equipa de Woking. Para um piloto que se sente colocado de lado, ver uma equipa interessada nele será como dar um chocolate a uma criança. O ânimo poderá voltar e como tal a confiança também. Mas a McLaren deverá jogar com o tempo que tem. Afinal Hamilton não renovou ainda e poderá nem renovar uma vez que a convivência com Rosberg está cada vez mais difícil. Um regresso a casa é também hipótese. E a estrutura McLaren para o futuro é muito apelativa e tem tudo para ser vencedora. Com Alonso supostamente de pedra e cal na Ferrari, tal como Kimi, com Bottas a ficar na Williams e um Ricciardo que deverá receber uma proposta de renovação em breve a dança das cadeiras na F1 começa a ganhar forma mas ainda poderá dar alguma surpresa.


Fábio Mendes

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Idade vs Talento. Quando dar o salto demasiado cedo pode sair caro.

Foto: Red Bull
A F1 está a ferver. A luta interna na Mercedes está a encher os meios de comunicação da especialidade. Cada notícia sai como pães quentes. É normal. A F1 andava órfã de uma rivalidade assim há demasiado tempo. Ainda bem que temos esta novela. Mas há outra noticia que não é tão positiva para a modalidade, pelo menos é essa a minha opinião. Max Verstappen vai ser piloto Toro Rosso com 17 anos.

Este ano tivemos a entrada de Kvyat, também para a Toro Rosso. Um jovem que saltou directamente do GP3 para a F1. Os resultados têm sido positivos e Danill tem sido em certas alturas melhor que o mais experiente Vergne. Mas Kvyat tem 20 anos.

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Opinião: Um balde de água fria!

foto: Getty Images
O último grande prémio de fórmula 1 deve ter sido um balde de água fria para o “grupo dos bota abaixo a F1”. Vence sempre o mesmo, os pilotos já não são precisos, os carros quase se conduzem através do pit Wall… são quase sempre estas as queixas! Já ninguém os atura. Claro que eu também gosto de ouvir mais o motor do carro, gosto de um piloto carismático, que me faça odiar os seus rivais e não gosto dos narizes dos F1 de 2014, mas uma coisa é certa, quando não gosto de algo, não o faço (fica a dica para tentarem não ver F1, caso não gostem!). Não ando a gritar por ai que o queijo não vale nadinha e no entanto, detesto queijo! Acho que deu para entender.

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

Formula 1 perdeu o brilho?

Já não é novidade para ninguém. F1 começa a perder o brilho, o encanto, o entusiasmo, aquele bichinho que nos alimenta por dentro.

Razões? Cada um de nós pode encontrar uma, uns porque não gostam deste tipo de carros, outros porque torcem o nariz as asas dianteiras, outros porque não suportam o barulho do motor que faz lembrar um aspirador, fartos destas novas políticas que a F1 tem sofrido ao longo do tempo…

quarta-feira, 2 de julho de 2014

F1 - 8 equipas com 3 carros... É esta a "visão" de futuro de Bernie.

Bernie Ecclestone já nos habituou a sua visão radical da F1. Vamos chamar-lhe radical para não abusar dos adjectivos.

Esta opinião já não é nova mas está a ser cada vez mais reforçada, o que poderá nem ser bom sinal. Bernie quer que a F1 seja composta apenas por 8 equipas com 3 carros cada. Segundo o britânico, as equipas pequenas que não têm condições para competir na F1 devem sair. Essa saída seria compensada com a utilização de um terceiro carro por parte das equipas que ficassem na competição.

Se por um lado, e muito remotamente, se entende a vontade de tornar a F1 mais competitiva, por outro também se entende a vontade de diminuir o número de fatias do bolo que é o dinheiro da F1. Assim é possível para agentes extra F1, ficarem com mais algum dinheiro para si.

Será que a F1 beneficiaria com esta redução? Não achamos que a modalidade saísse verdadeiramente a ganhar. A F1 sempre teve equipas grandes e pequenas. Equipas ricas e pobres. Estar a retirar as equipas pequenas é estar a retirar uma parte do espectáculo. Será que os primeiros pontos da Marussia no Mónaco não fizeram sorrir os fãs de F1? É verdade que as hipóteses de subirem a um pódio é muito ínfima, mas as equipas pequenas dão mais variedade à F1. E mesmo ao nível da publicidade haveria uma diminuição de retorno pois empresas que estariam interessadas em anunciar na F1 a um preço mais baixo deixariam de ter essa opção.

E o que define uma equipa grande de uma pequena? A Force India por exemplo está a fazer um excelente campeonato e a dar os passos certos para se consolidar como equipa. Será que tem condições de ter 3 carros? Não. A Lotus? Terá condições para ter 3 carros? Nem pensar. A Sauber? Nem vamos por aí, pois está mais próximo o fecho da equipa do que o uso de 3 carros. Quem poderia de facto ter 3 carros no grid? Ferrari, McLaren, Red Bull e Mercedes. A não ser que Bernie queira diminuir para 4 equipas com 4 carros, não vemos que equipas mais poderão ter condições  a médio prazo para ter 3 monolugares no grid. Resumindo cheira a desculpa para aumentar as hipóteses dos grandes vencerem e lucrarem mais retirando até às médias equipas que se estão a começar a afirmar. Pois mesmo com a redistribuição do dinheiro para as equipas o fosso ao nível do poder económico não se ia alterar.

Para completar o ramalhete, Bernie diz que Monza poderá perder a F1. E que mais? Spa? Silverstone? Vamos trocar estas pistas por circuitos no meio do deserto, para apenas os camelos e os ricos possam ir ver ao vivo a F1 e para Bernie e amigos ficarem com o "pé de meia" mais recheado.

Não somos contra mudanças na F1 e admitimos que é necessário fazer alguma coisa para melhorar a competição ( e algumas medidas tomadas até agora podem ajudar de facto). Mas não é de certeza limitar o número de equipas e retirar a F1 dos circuitos míticos. A F1 precisa de uma visão diferente. É que qualquer ideia que Bernie tem, soa sempre a desculpa para ganhar algo mais e não algo que possa ser usado para melhorar o Grande Circo.Um senhor que diz que a F1 não precisa da Internet, por exemplo, não entende o mundo em que está inserido. E falando nisso, Bernie em vez de bloquear conteúdos do Youtube havia de agradecer a quem tem sites e blogs que escrevem sobre F1. Somos nós que muitas vezes a troco de nada levamos a informação, a opinião e a paixão a quem não quer ou não pode pagar para ter isso. Em vez de bloquear, Bernie havia de agradecer, pois no fundo nós ajudamos a manter aqueles que apesar destas tretas todas,  mantêm o gostos pela modalidade e fazem um esforço para continuar a ver. Até a Formula E começa a ter mais visibilidade que a F1.

A F1 não precisa de mudanças drásticas... Apenas precisa que Bernie se reforme definitivamente.


Mas isto é apenas uma opinião... Deixem nos as vossas ideias.


Fábio Mendes

quarta-feira, 4 de junho de 2014

A Grande Mentira: porque nem só a F1 tem hegemonia!

Muito se escreve e diz sobre a hegemonia da Mercedes (até este ano era da Red Bull) na F1. Uns dizem que mata a modalidade, outros que são os mais bem preparados e depois há aqueles que dizem que perde todo o interesse em ver Fórmula 1 quando ganham sempre os mesmos.
Enfadonho, seca ou desinteressante, são alguns dos adjectivos que utilizam para descrever a época de 2014 na disciplina rainha do automobilismo.
Nas próximas linhas, vamos tentar desmontar a ideia de que a superioridade de uma equipa e/ou piloto, nas modalidades motorizadas é uma mau indicador ou que retira espectacularidade às provas.

MotoGP
 
Marc Marquez foi o vencedor de 6 provas em…6 GP´s. Como? Sim, o espanhol da Repsol Honda, arrancou imparável na nova temporada e não deixou ninguém ganhar uma única prova. Ainda teve a companhia do colega de equipa em duas ou três provas, mas não se pode dizer que exista para já, um adversário à altura do campeão em título. Marquez tem 53 pontos de vantagem para o segundo classificado do campeonato, Valentino Rossi. O seu colega de equipa está actualmente em 3º lugar da tabela, a apenas 1 ponto de Rossi.
Conclusão: pelas imagens dos fãs no circuito de Mugello, antes do último GP, não nos parece que existam muitos que dizem que a modalidade esteja enfadonha por Marquez arrasar a concorrência. A maior multidão até apoia Rossi, mas rendem-se à evidente superioridade de Marc Marquez e da sua Honda, que por sinal está melhor preparada do que a Yamaha, a sua rival do ano passado.

WTCC
O campeonato da FIA de turismos não é o nosso campeonato preferido, nem por sombras, mesmo tendo dado um grande salto qualitativo da época passada para esta. A entrada da marca francesa, Citröen, foi muito bem vista pelos adeptos, mas com 10 mangas cumpridas no calendário (cada prova tem duas mangas) os franceses da Citröen apenas perderam um delas, ou seja, têm uma 90% de vitórias este ano. São 3 pilotos, todos muito bons mas nem todos com muita experiencia em turismos, como é o caso de Loeb, que nunca tinha competido nesta disciplina. Assim a Citröen consegue um domínio total, que nem a Honda parece ser capaz de evitar.Não se pode dizer que seja o campeonato mais entusiasmante do desporto motorizado e a Chevrolet tinha colocado os adversários à distancia no passado. Como tal isto das hegemonias no WTCC que foi feito para ser o mais equilibrado possivel também acontece.

WRC:

A história do ano passado parece repetir-se este ano. E no fundo não é muito diferente da história do passado recente. Um Sebastien que domina tudo e todos e uma Citröen que vencia sempre, que agora foi substituída pela Volkswagen que usa a mesma deixa. A espectacularidade do WRC compensa mas, se analisarmos bem, a par da F1 é a modalidade que há mais tempo tem tido um domínio absoluto e cuja competitividade desceu bastante desde os gloriosos finais do anos 90. A Ford nunca conseguiu fazer frente aos lideres, e agora a Hyundai parece querer baralhar um pouco as contas. Mas para já não passa de uma intensão pois os desempenhos ainda não permitem que isso seja uma realidade. 


F1:
O caso mais falado no que diz respeito à hegemonia. Como se provou nas ultimas linhas dizer que apenas a F1 é dada a domínios duradouros é falacioso. É certo que tivemos a McLaren, seguida da Williams, seguida da Ferrarri e por fim a Red Bull. Mas é algo que acontece recorrentemente e desde os anos 70 esse fenómeno acentuou-se. Dizer que a F1 perde espectacularidade com isso é injusto. É certo que este ano por exemplo as duvidas são: qual dos dois Merceces cruzará primeiro a linha da meta, ou se terminarão os dois a prova. Mas dizer que este campeonato é aborrecido é falso. As lutas entre a Mercedes estão a dar bom espectáculo e a luta pelo 3º lugar continua em aberto. Além disso temos a Force India e a Williams a chegarem-se à frente.

Estes são os exemplos mais claros do que se passa no desporto motorizado. Há muita gente boa mas há sempre alguém melhor ainda e que ganha um ascendente em relação aos outros. Quer seja nos pilotos ou nas equipas, há nos últimos anos uma tendência mais acentuada em que uma equipa ou piloto assuma a liderança de forma consecutiva sem que ninguém consiga atingir o mesmo nível. Significa isto que o desporto motorizado está pior? Não, muito pelo contrario está melhor. Os pilotos são melhores, os veículos são melhores, mas o que acontece é que num mundo tão especializado a tendência para encontrar um génio que tire partido de uma vantagem, é maior hoje em dia. Antigamente eram todos muito bons e o escelentes. Agora há os muito bons, os excelentes e os fora de série. E isso não retira a espectacularidade as modalidades. Será justo então apontar a F1 como o parente pobre da "espectacularidade"? Não. É certo que é preciso fazer ainda muito para a modalidade ser aquilo que pode ser mas por enquanto não está nada mau.

Aliás esta tendência para hegemonia não vem de agora. Sempre existiu e foi graças a isso que grandes nomes ficarão para a história. E são esses nomes que são agora relembrados com saudade. Assim como serão alguns nomes do presente relembrados no futuro.

fotos:
nomundodavelocidade.blogspot.com
beyondtheflag.com
vwvortex.com
hotnewsonline.org

Pedro e Fábio Mendes

terça-feira, 3 de junho de 2014

Hamilton Vs Rosberg: A guerra dentro e fora de pista.

O GP do Mónaco teve o condão de provocar o momento de maior tensão, até ao momento, no seio da equipa Mercedes. A reacção de Hamilton à pole e consequente vitória de Rosberg fizeram os alarmes soar na equipa a cargo de Toto Wolf e Niki Lauda, que trataram logo da situação, colocando água na fervura, cujo resultado prático se viu na sexta feira com Hamilton a dizer que estava tudo OK com Rosberg e que embora com altos e baixos a amizade mantém-se.

Isto pode ter iniciado a parte mais interessante da luta entre os dois pilotos Mercedes, que até agora tinha sido bastante higiénica e pouco dada a este tipo de “bate-boca”. Rosberg tem estado constantemente no pódio desde o inicio do ano, enquanto Hamilton teve de recuperar os pontos perdidos na desistência em Melbourne. E conseguiu, fruto do seu enorme talento.

Mónaco é especial para qualquer piloto de F1. Todos querem vencer, mas no principado é especial. E Hamilton, que sabe que este ano pode ser seu, queria que Mónaco constasse no seu currículo. Rosberg impediu isso e o britânico reagiu mal. É um facto que a saída de Rosberg é estranha, mas não parece maldosa. E também é verdade que no decorrer da corrida, uma estratégia mais arrojada teria permitido que Hamilton tivesse mais hipóteses de ter lutado pela 1ª posição. Mas não deixa de ser menos verdade que Hamilton não teve um desempenho ao nível dos anteriores. Rosberg foi justo vencedor. E no final da corrida Hamilton ainda viu o seu lugar ameaçado por Ricciardo.

Nesse fim de semana vimos o lado menos bom de Hamilton, que provavelmente terá sido o responsável pelo desempenho menos conseguido e que é sem duvida o seu calcanhar de aquiles… O factor psicológico, que tem sido o seu maior ponto fraco.

Hamilton é sem dúvida melhor que Rosberg. Ele sabe disso e sente que este ano o campeonato tem de ser dele. Uma fonte de pressão. Sabe que na McLaren teve hipóteses de ser campeão, mas a fiabilidade dos carros nunca foi a melhor. E o tempo avança de forma implacável. Não que Hamilton esteja velho, mas não quererá perder a oportunidade de vencer mais um campeonato e colocar o seu nome ao lado dos grandes da modalidade. Toda esta pressão dissipa-se quando vence, mas quando é colocado em sentido pelo seu colega de equipa, a coisa muda de figura. A resposta que ele teve depois da qualificação e da corrida era genuína. E a ameaça de usar Senna como exemplo não era jogo. Era mesmo real. E embora sem querer, talvez tenha beneficiado ao nível do jogo psicológico, pois Rosberg não quererá ver Hamilton a “falhar” uma travagem e atirar ambos para fora de pista.

No ano passado os desempenhos foram francamente maus para o que pode fazer. Notava-se que não tinha a mesma paixão, a mesma chama. Era um Hamilton apático. Tudo isto devido a problemas com a namorada e com a família. Para que Hamilton esteja a 100% a sua cabeça tem de estar bem. A estabilidade em sua volta é um factor decisivo. Este ano a namorada voltou, os problemas ficaram resolvidos e Hamilton está de regresso. 

Rosberg por seu lado, nunca foi visto como um dos melhores do grid. É um bom piloto, não há duvida disso, mas falta-lhe aquele extra que Alonso ou Raikkonen ou Hamilton têm. Em compensação é um piloto inteligente, e que pode usar a guerra psicológica em seu favor. Por enquanto não o fez e teve uma postura correcta negando o erro mas, com o avançar do campeonato o alemão poderá aproveitar esse factor. É que ele também sente que tem uma oportunidade de ouro e não quererá que Hamilton lhe leve o titulo e fará tudo para o impedir.

A mensagem de Hamilton, afirmando que a amizade se mantinha, poderá bem ser um jogo de bastidores, com mão de Lauda e Wolf. A rivalidade dentro de pista tem sido sadia e bonita de ser ver, e a Mercedes quer fazer o pleno… vencer tudo e dar espectáculo. O plano parece ambicioso. Mas já se sabe que os pilotos de F1 são uma raça à parte. A única coisa que interessa são as vitórias. Foram poucos os que venceram sem usar truques sujos. Neste mundo altamente competitivo é necessário usar mais do que puro talento ao volante. E isso faz parte do espectáculo da F1. Embora entenda a vontade das chefias da Mercedes, já há muito tempo que não se tentava uma comparação com a rivalidade Senna /Prost ( com as devidas distâncias). Mas este confronto tem tudo para ser um cartaz aliciante. De um lado o fogo, a paixão, o talento e do outro a frieza, o calculismo, a inteligência. Não vos parece bem?


É provável que o ambiente de paz podre se mantenha mais alguns tempos, com sorrisos para a foto e abraços de circunstância. Mas a F1 não dá azo a esse tipo de relacionamento, quando se luta por um objectivo como o titulo. E a paz podre vai manter-se até a próxima vez em que ambos tiverem de lutar entre si pela vitória. Lewis quer o seu 2º campeonato, Rosberg quer vencer e aproveitar a oportunidade que nunca teve. Acham que há espaço para amizades neste momento? Espero que o próximo episódio da luta entre eles seja já no Canadá. A F1 precisa de uma boa rivalidade e esta tem os ingredientes todos necessários. Entendemos a preocupação de Lauda e Wolf… mas não nos importamos. Queremos espectáculo. Deixem os homens lutar.



Fábio Mendes.

quarta-feira, 28 de maio de 2014

Bernie, quando é que te reformas?

Saiu há poucos dias o anúncio de que Bernie negou que Magny Cours voltaria, para já, a receber um GP de F1. Um problema que terá a ver com cifrões e não com as condições de segurança. Dito isto as linhas que se seguem são um mero desabafo sobre a politica seguida na F1.

Bernie é de facto uma figura incontornável do grande circo. Graças a ele a modalidade ganhou outra projecção e mais que isso, tornou-se numa galinha dos ovos de ouro ( para alguns). É inegável de que Bernie ajudou a F1 a crescer, tanto ao nível do espectáculo como da segurança.

Mas a vontade de ganhar mais e mais fez com que Bernie estragasse o trabalho que fez no passado. Mais que isso, provocou um distanciamento pouco recomendável dos fãs em relação à F1. E a prova disso é a decisão tomada em relação à pista francesa. França, nem com um fornecedor de motores, com uma história considerável, com 4 pilotos, e com uma significativa falange de apoio, consegue voltar a ter um GP. Em vez disso, está cada vez  mais próximo a realização de um GP no Azerbaijão. É isto que vai afastando os adeptos da F1. A pista do Bahrain, por exemplo, mesmo com a situação politica que se vive no país, continua a receber GP e testes. Qual é a lógica disto?

A dificuldade em ter acessos a conteúdos da F1, devido à apertada malha da FOM para preservar os seus direitos de imagem, chega a ser ridícula. Disponibilizar os conteúdos para todos seria uma forma de valorizar a F1, pois aí a publicidade dos carros atingiria um numero muito maior de pessoas, mais empresas quereriam publicitar nos carros, mais dinheiro entraria. Todos ficariam mais felizes.

Já não bastava que as corridas fossem transmitidas em canal fechado, o que obriga as pessoas  investir o que nem sempre é possível. Restam duas hipóteses, ou ir a um café esperar que não esteja a dar futebol, para pedir que coloquem a F1 no televisor, o que raras vezes é possível, ou então sujeitarmo-nos a transmissões pela net, que nem sempre funcionam bem ou de qualidade pouco recomendável, mas que ainda assim nos permitem ver a corrida. Uma carga de trabalhos que só os mais fanáticos fazem.

Mas esta vontade de controlar os ganhos todos da FOM e de Bernie faz com que isso seja impossível e como tal as pessoas desligam-se.


E se as pessoas já achavam antes a F1 um mundo elitista, mais razões terão para isso, quando vêm que a corrida passa no chamado “ canal dos ricos” e que para ver uma prova ao vivo é preciso ter a carteira a abarrotar de notas roxas e se possível um camelo estacionado à porta.

Bernie tem vários processos nos tribunais, tem demasiados anos de F1 e uma visão muito egoísta de um desporto que não é dele… é nosso.

É de facto complicado arranjar um  sucessor, mas é necessário que haja alguém com uma visão diferente da F1. Uma visão que  privilegie os fãs.  Que permita mais abertura. Que permita que aqueles que gostam de automobilismo tenham acesso facilitado às corridas e aos conteúdos para que assim a febre da F1 que se viveu nos anos 80/90 possa regressar um pouco. 

Até lá vale a paixão de alguns para ir vendo corridas e até fazerem blogs que permitem as pessoas ficarem um pouco mais de perto da modalidade. Sim nós os blogs e os fãs anónimos que escrevem sobre a F1, somos a melhor publicidade à categoria. Dizemos o que pensamos, escrevemos sobre a categoria. A troco de nada muitas vezes. Graças aos blogs e sites pela net espalhados, as pessoas tem acesso a informação de forma fácil. Tal como deveria ter sido sempre. 



Fotos:
google.pt

Fábio Mendes

sexta-feira, 23 de maio de 2014

Antigamente é que era! Se calhar não. O que realmente mudou?

Sou acusado frequentemente de ter uma visão demasiado protectora da F1. Serão muito poucos os que concordam com esta revolução na F1. Eu concordo. Serão poucos os que este ano a F1 está a ser mais apelativa e interessante. Eu acho. E das várias conversas que tenho, há um denominador comum. “A F1 já não é o que era e antigamente sim era bom”. “Depois que o Senna morreu, perdi o interesse por isto”. O que se segue é apenas a minha opinião. Vale o que vale.

Há um inegável antes e depois de Senna no cenário nacional da F1 (e provavelmente internacional também, mas que se nota mais cá). As corridas deixaram de ser seguidas com tanto interesse. E a “era Schumacher” veio tirar o pouco brilho que restava à categoria rainha do automobilismo, isto aos olhos dos portugueses. O alemão que desafiou Senna ganhava sucessivamente. Factores mais que suficientes para desanimar os fãs. Por todos os países em que a F1 é assumidamente um desporto popular, com mais ou menos flutuações, o gosto pela modalidade mantém se.

Mas a F1 mudou e mudou muito desde esse tempo. Já lá vão 20 anos e ainda assim, as pessoas vão buscar os gloriosos anos 80/90 para relembrar a F1. Dizem que estas mudanças todas descaracterizam a modalidade. Mas será que a F1 está assim tão diferente?

Como dizia Jack o Estripador, vamos por partes:

Os carros:

Continuam a ser rápidos, são menos ruidosos e isso de facto é um handicap. A evolução retirou-lhes a fúria do grito dos V8. Mas já antigamente os V10 foram calados e a onda de criticas foi grande. Não há como fugir que o som deste ano é menos apelativo. Mas é um aspecto que pode e deve ser minimizado. O impacto sonoro tinha muita importância no espectáculo.

A questão dos motores é irrelevante. Já foram usados motores 1.5 no passado. O uso da energia eléctrica não me causa nenhum transtorno também, desde que nunca se abdique dos motores de combustão. E penso que a influência das grandes empresas petrolíferas que investem muito dinheiro, fará que isso não aconteça  tão cedo.

Há pessoas que dizem que hoje em dia a F1 só vale pelos carros e que os pilotos não são importantes. O problema é que sempre foi assim. Os Lotus ganharam campeonatos graças ao engenho de Colin Chapman. Os McLaren de Prost e Senna eram os melhores carros do grid por larga margem. Os Williams de Mansell e Prost igual. Foram muito poucos os carros que não eram muito melhores que os outros que venceram o campeonato. O carro sempre foi um factor importante. Mas os pilotos também. É certo que a tecnologia ajuda bastante hoje em dia mas, assim como ajudou no passado e ninguém duvidou do talento dos pilotos desse tempo, é injusto desacreditar no talento dos pilotos do presente quando tem de lidar com outro tipo de desafios. Novos tempos novas exigências. Há de facto, infelizmente, demasiados pilotos que não deviam estar na F1 e que estão porque têm as carteiras cheias. Talvez no passado esses piloto tivessem mais dificuldade em subir à F1 ( embora os pilotos maus sempre existiram em todas as categorias). Mas é uma diferença mínima. Os bons serão sempre bons e os maus não serão melhores graças aos carros. Talvez disfarcem melhor mas é sol de pouca dura.

Os carros deste ano são mais lentos:

A ideia foi retirar-lhes apoio aerodinâmico de forma a dificultar a vida aos pilotos. A fórmula ainda não está bem afinada, mas tem proporcionado bons espectáculos com os carros de lado e os pilotos a suarem para os manter na pista. Era o que todos queriam, dar ao piloto mais importância. Mas já há muita gente a queixar-se que os carros são mais lentos. De facto são mais lento em curva mas compensam isso nas rectas. Não é um bom compromisso? Mais derrapadelas, mais velocidade nas rectas e mais espectáculo. E o custo de isto são 1 ou 2 segundos a mais no cronómetro. É verdade que há o problema de a F1 ser sempre a categoria máxima no que diz respeito à inovação. E perder tempo com diminuição de apoio aerodinâmico é estar a dar um passo atrás na tecnologia. Mas como a F1 tem também de ser um espectáculo e como tal, cria-se uma dificuldade enorme em estabelecer um equilíbrio. Por agora fez-se diminuir a importância da parte da aerodinâmica e apostou se mais na parte mecânica. Sinceramente gosto que a F1 se mantenha o mais avançada possível, mas se ao retirar um pouco desse avanço se aumenta a espectacularidade… nada contra. As pessoas pagam bilhete para ver espectáculo e ultrapassagens e não uma mostra de tecnologia. A tecnologia tem de estar ao serviço do espectáculo.

É sempre a mesma coisa e acaba sempre por ganhar o mesmo:

A F1 pagou cara a factura da hegemonia de Schumacher. Nesse tempo em que a F1 se tornou algo enfadonha, perderam-se muitos fãs (embora as lutas com Hakkinen fossem interessantes). Mas esse tempo é passado. Desde então tivemos Ferrari, McLaren, Renault, Brawn GP, Red Bull a vencer o campeonato. Tivemos campeonatos discutidos até ao final ( 2007, 2008, 2010, 2012). Obviamente que a Red Bull conseguiu vencer 4 anos seguidos. Mas desses 4 anos apenas 2 foram ”à vontade”, ao contrário do que muitos pensam. E isso de épocas de domínio, até no passado existiram. A McLaren venceu 4 campeonatos seguidos, um deles em que venceu 15 das 16 corridas. Estiveram desde 1984 a 1991 no topo da categoria. A Williams dominou de 1992 a 1997. Nos anos 70 o domínio, embora mais repartido, caiu tendencialmente para a Lotus. A F1 sempre foi feita de época de domínio por parte de alguma equipa.  Recorre-se ao passado para relembrar a competitividade mas bem vistas as coisas se calhar a diferença para o presente não é tão grande.


Há de facto muita coisa que devia ser alterada na F1. Mas na semana passada ao ver a corrida de DTM, com o Carlos Mota e um colega nosso, reparei o que falta à F1 e o que as pessoas têm saudade. Um piloto que apoiam incondicionalmente. A parte emotiva da coisa. Para mim ver uma corrida de F1 é sempre um motivo de alegria, mas para os menos “fanáticos” falta algo. Falta um piloto que possam apoiar. A grande diferença entre a F1 do passado e do presente é que antigamente torcia-se pelo Senna, ou pelo Prost, ou pelo Piquet. Hoje em dia isso diminuiu. O carácter, a forma de estar dentro e fora de pista dos pilotos de hoje em dia, é muito diferente. A aura de um piloto no passado era quase tão importante como o seu rendimento. Actualmente o desporto é mais clínico. É menos dado a figurões. O único que existe é Raikkkonen e por causa disso, tem a legião de fãs que se conhece. 

A grande diferença entre o passado e o presente, é que faltam pilotos com os quais as pessoas se possam identificar. Que possam festejar cada ultrapassagem como um golo. Cada vitória. A visão desapaixonada da F1 é que está a retirar a espectacularidade. Não significa que os pilotos do presente sejam piores…Pelo contrário penso que em alguns casos são melhores. Tem é menos alma. Menos chama.

De resto. Os ingredientes são os mesmos. Mas faltando a parte humana… as pessoas menos apegadas ao desporto terão sempre tendência a afastar-se e relembrar os velhos tempos, nunca lembrando que a única coisa que de facto distingue uma época da outra… são os pilotos carismáticos que hoje em dia são uma raridade. Vamos ver se alguém aparece que possa trazer a chama de volta. Não gostando de fazer este tipo de paralelismo é como no futebol… Há muita coisa má no mundo da bola, mas as pessoas continuam a ver porque tem o clube que apoiam.  E esse gosto faz esquecer os defeitos que o desporto tem. Quando não há paixão começa-se a ver os aspecto mais negativos.

É claro que há outros factores que devem ser vistos. As pistas que ficam longe dos fãs, a insaciável vontade de ganhar mais dinheiro por parte de quem manda na F1, o constante esquecimento dos fãs por parte das autoridades que regem a F1, as corridas em que as ultrapassagens ficam um pouco manchadas pelo DRS, que torna as coisas demasiado simples (o DRS é uma solução boa, mas facilitar em demasia as ultrapassagens não beneficia o espectáculo), a quantidade exagerada de dinheiro que se gasta e que aumenta o fosso entre grandes e pequenos… Há várias coisas que era necessário repensar para que a F1 possa dar um passo em frente. É sempre possível melhorar. Mas não estamos tão longe quanto se possa pensar.

 Se tivéssemos alguém por quem torcer verdadeiramente tudo isto seria esquecido. Como torcemos por Félix da Costa na semana passada. Queriamos lá nós saber dos pormenores menos positivos... Queriamos que aquele BMW ultrapassasse todos os carros e mais que uma vez, para que no final cruzasse a linha em primeiro. E vibramos com isso. Como se fazia no passado na F1. Antigamente é que era, não porque a F1 era melhor… Mas sim porque as pessoas tinham por quem torcer verdadeiramente e assim davam asas a paixão pelo desporto.  



Fotos:
retiradads de google.pt

Fábio Mendes

quinta-feira, 22 de maio de 2014

Críticas e mais críticas. Serão elas fundamentadas?

A Fórmula 1 de 2014 tem sido alvo de criticas pela grande maioria dos fãs, dos jornalistas envolvidos no Grande Circo, de ex-pilotos, de ex-donos de equipas e mesmo por alguns pilotos do actual paddock. São os novos motores, são as dietas extremas dos pilotos, é o som dos carros, os narizes nada convencionais, as guerras económicas no seio da FIA, os processos de Bernie Ecclestone, tudo é alvo de critica e sejamos sinceros, o mundo da F1, sempre foi digno de controvérsias. Vejamos alguns exemplos:

- Prost foi (supostamente) beneficiado por Jean Marie Balestre, presidente da FISA (que deu origem à actual FIA), nas decisões que aquele, ou outro qualquer órgão de supervisão da competição, que tomou. Todos nos lembramos o que aconteceu com Ayrton Senna no Japão em 1989, que foi desclassificado, e assim Prost venceu o título mundial, após ter cortado através da chicane devido ao toque (propositado?) do francês;
- A chegada de Max Mosley à presidência da FIA não foi totalmente clara, tendo havido fortes pressões de Ecclestone para que o seu ex-sócio, tomasse o lugar do "inconveniente" Balestre;
- Ayrton Senna, cotado por muitos (por exemplo este vosso escriba) como o melhor piloto de sempre da F1, vetou a entrada de Derek Warwick na Lotus no ano de 1986. O inglês, que tinha a a fama de futura estrela, nunca chegou ao topo da modalidade;
- Existiram sempre muitas dúvidas se a Benneton, em 1994, não tinha algum tipo de apoio à condução, quando foram banidas da modalidade esse tipo de ajuda ao piloto. Senna sempre torceu o nariz ao carro conduzido por Michael Schumacher;
- Na temporada de 2013, as mesmas dúvidas foram levantadas em relação ao RB9, carro que levou Sebastien Vettel à conquista do 4º título consecutivo na modalidade.

Basicamente fica demonstrado que as controvérsias são parte integrante do espectáculo e que este ano não deixa de ser diferente e ainda bem!

Afirmo isso, porque está visto que a temporada não vai ser marcada pela competição pelo título. Nesse aspecto a Mercedes preparou-se melhor que a concorrência, mas para trás, sim, vai haver luta e muito feia. É isso que estamos à espera, por isso as controvérsias são uma espécie de aperitivo. Deixar passar rumores de que Raikkonen está descontente é também uma forma de espicaçar o Iceman e Alonso, enquanto a Red Bull, consegue juntar forças e dizer aos seus pilotos: "Estão a ver a grande Ferrari com problemas? Vamos fazer melhor?". Mind games!

Depois de ter algumas discussões com os colegas do blog, cheguei a uma conclusão, quanto às criticas que não existe concorrência para a Mercedes: há pouca luta pela vitória? Em 1988, apenas 3 pilotos venceram corridas. Dos 16 GP´s realizados, Ayrton Senna venceu 8 e conseguiu 13 Pole Positions, Alain Prost venceu 7 GP´s e Berger teve apenas 1 vitória. Alain Prost e Ayrton Senna eram colegas de equipa, na Mclaren. 


Sabiam que Ayrton Senna é por muitos considerado o melhor piloto de sempre da F1? Inclusive por mim?Será mesmo que esta época não tem interesse? Mesmo não concordando com algumas mudanças nas regras do campeonato, não posso deixar de escrever que possivelmente, das últimas 5 temporadas, esta é, para já, a melhor delas. E não é por Vettel estar a ser batido pelo Ricciardo!


Fotos:
google.pt


Pedro Mendes

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Pontos a dobrar na última prova do ano - A nossa opinião.

Estalou a confusão no reino dos fãs da F1. A FIA resolveu fazer das suas e colocar na ultima corrida do ano um multiplicador de pontos. Assim os pontos da ultima prova passam a ser a dobrar.
É necessário avaliar esta decisão por dois prismas.

O 1º é a parte desportiva.

A F1 tem tido uma falta de emoção que começa a ser preocupante e era necessário alterar a situação de forma a que isso mudasse. A FIA achou por bem alterar a forma de atribuição de pontos.
Será bom? 

No ponto de vista da espectacularidade e emoção, pode de facto trazer algo mais. Assim uma distância de 49 pontos pode não ser fatal e poderá dar ainda uma vitória no campeonato.

Do ponto de vista da verdade desportiva é mais complicado. Os pilotos poderão sentir se prejudicados, pois um piloto que vença uma corrida, recebe o dobro de pontos que recebe um que venceu duas. Mas é necessário ver também que as regras, sendo estabelecidas de inicio, tornam-se a pedra basilar da competição e ninguém se pode queixar. É como aquele conceito que diz que, por a vida ser injusta para todos é que se torna justa. Aplica-se o mesmo aqui.

É verdade que se olharmos para o passado, haverá casos em que seria uma tremenda injustiça. Ascari não teria vencido como venceu de forma justa o campeonato. Lauda não venceria o campeonato em 82. Stirling Moss não teria ascendido à categoria de imortal do desporto, tendo defendido que o seu opositor directo não devia ser desqualificado por uma penalização, perdendo assim o campeonato, ganhando o respeito de todos. Com os pontos a dobrar nada disso aconteceria.

Mas também teria havido mais alguma justiça. Massa teria vencido o campeonato do Mundo, na sua terra natal, tendo vencido o ultimo GP, Raikkonen teria vencido de forma justa em 2003, contra Schumacher e a fiabilidade do seu McLaren, Villeneuve teria vencido de forma justa em 79, não teria sido prejudicado por “ordens de equipa”.

Mais recentemente Alonso teria sido o justo campeão de 2012, tendo conduzido de forma brilhante toda a época, com um carro mais fraco que Vettel e mesmo assim conseguindo levar a luta até ao fim.
“Se não estavam em 1º é porque falharam em algo durante a época logo não mereceriam vencer” dirão alguns. Não se aplica o mesmo conceito caso o 1º classificado perca o campeonato na ultima corrida mesmo sem pontos a dobrar?

Contabilidade geral?

Haveria casos de justiça e casos de injustiça, se essa regra fosse implementada desde início da modalidade. E o que mudaria na F1? O grande circo nunca foi conhecido por ser muito justo.

E vamos ser realistas... Cada mudança que ocorreu na F1 deu pano para mangas. Os arautos da desgraça vieram dar a modalidade como acabada e que estavam a destruir a F1. E a F1 continua aí. Com mais ou menos força, com mais ou menos emoção. Mas ainda temos F1 mesmo com tantas mudanças.

O segundo prisma que se deve ver é o político.

Afinal estas medidas não serão de todo ingénuas. Introduzir um sistema meio americanizado terá como objectivo trazer o público dos EUA. Mas o Nascar é um caso de sucesso. Os americanos têm muitos defeitos mas sabem como dar um bom espectáculo. Se a fórmula resulta para eles porque não tentar adaptar o modelo?

Mas o problema é outro. É que uma ultima corrida a valer o dobro de pontos, significa também que o circuito que a recebe terá o dobro das atenções. E isso equivale a muito dinheiro para Bernie, Todt e companhia. E as pistas árabes já estão a ganhar, pois Abu Dhabi receberá a tal “final” do ano em 2014. Mas onde estão os verdadeiros fãs da F1? Nas arábias? Ou na Europa? Ou no Brasil? No Japão? O problema é que uma corrida destas, deveria estar ao alcance de todos, sabendo que hoje em dia as deslocações e o dinheiro que se gasta não motivam a ir ver ao vivo. Mas ainda assim uma corrida deste género, deveria ser feita onde há mais fãs. Um ano no Brasil, outro na Europa, outro no Japão. E em pistas com história e qualidade. Uma corrida destas, teria de ser ou em Suzuka, ou Interlagos, ou Spa. Os novos circuitos não me convencem, muito menos os do médio oriente.

Mas como o dinheiro é quem mais ordena no grande circo, será complicado tirar a “final” das arábias. E se a FIA cometer o erro de levar a dita final para o Bahrain dá um tiro no pé. A situação lá é complicada e já o facto de a F1 ir para lá não agrada a muitos, imagine-se a tal corrida onde tudo se decide. A mim pelo menos não me agrada nada.

E por fim… Será que a F1 perde a essência por causa desta alteração? A meu ver não. Temos pilotos? Temos. Temos tecnologia? Temos. Temos lutas interessantes? Não muitas. mas assim talvez haja mais. Penso que a essência da F1, ninguém conseguirá retirar. E se a F1 assenta na evolução inteligente dos carros, porque não evoluir o sistema de pontuação? Tornar as coisas ainda mais difíceis para pilotos e equipas. Afinal é disso que se trata. Dificultar-lhes a vida e eles mesmo assim, conseguirem sair por cima. Sempre foi assim na F1 e sempre será.

Há problemas bem mais graves no grande circo... Equipas que se dão ao luxo de ter uma equipa B, o que pode desvirtuar a verdade da competição. Directores de equipa que têm acções de outras equipas. Pilotos pagantes sem qualidade. Esse sim são problemas que merecem atenção e devem ser resolvidos... mas que se mantêm ao longo dos tempos e não acabar com a modalidade.

O que pode de facto acabar com a essência da F1 e pode acabar com a F1 é a falta de interesse, a falta de público. Isso sim acabará com a modalidade que tanto gostamos. Uma corrida que vale o dobro em que os 4 primeiros da tabela podem ainda ser campeões? Desculpem mas eu dava uma vista de olhos mesmo que não ligasse nada a isto.

A F1 é muito mais que regras impostas por gente que quer cada vez mais dinheiro. A F1 é feita de histórias de superação, de inovações tecnológicas, de mentes brilhantes e de talentos enormes ao volante de máquinas maravilhosas, que souberam vencer as regras impostas, até as mais injustas. Não é a troca de pontos que vai abalar isso.





Fábio Mendes

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

May the Force (India) be with you...

A silly season veio para nos animar nesta época pré natalícia. 
Quase todos os dias somos inundados de notícias sobre pilotos que mudam de equipa, pilotos que pagam para se sentarem num habitáculo de um carro de F1. Outros têm de sair para dar lugar aos chamados pilotos pagantes.


Depois de falarmos durante meses acerca de quem substituía Raikkonen na Lotus, a equipa arrumou a questão ao “contratar” o fantástico, o incomparável e único Pastor Maldonado. Então a imprensa internacional virou-se para a Force India. E nós acompanhamos a tendência!

Vijay Mallya, dono da equipa e um homem muito modesto, pouco dado a festas e parecido com Flavio Briatore, espera continuar com as boas prestações que a equipa teve no início desta época.

Por isso substitui Sutil por Hulkenberg, numa jogada que nos agrada muito, muito mesmo! E para mim foi muito bem feito…Sutil no princípio desta semana deu uma entrevista ao Auto Motor und Sport, onde afirmou que o carro desta época foi uma “cenoura”, nós ainda não percebemos muito bem o que o alemão quis dizer, mas “cenoura” foram os 5 milhões de dólares que supostamente Sutil pagou pelo lugar. Mas, Hulkenberg é, na minha humilde opinião, 30 vezes melhor do que Sutil.


Vegetais à parte, temos uma potencial equipa para atacar a Mclaren e Lotus. Digo potencial, porque vai depender do investimento no novo modelo de 2014 e no segundo piloto: fala-se de Pérez ou a continuação de Di Resta.

Di Resta pode rumar para os EUA, para competir na Indy. O piloto escocês tem de aprender a andar mais rápido e não vir queixar-se no final das corridas. Será capaz? Tem capacidade para isso. Se Pérez conseguir o lugar na equipa indiana, mantém-se na F1 e pode entreter-se a fazer frente à antiga equipa, coisa que parece animada à primeira vista.

Esperamos, pacientemente pelo desfecho das negociações e pela confirmação dos pilotos em todas as equipas.

Boa notícia: faltam apenas 100 dias para o primeiro GP de F1!

indiatimes.com
foxsports.com.br
grandprix247.com

Pedro Mendes

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Formula 1: um sem fim de problemas e poucas soluções propostas.

A Fórmula 1 já viveu dias melhores e infelizmente começa a perder algum terreno para outras modalidades. É certo que continua a ser um dos desportos motorizados mais vistos em todo o mundo, que é o desporto tecnologicamente mais avançado e que as inovações que são usadas nos monolugares poderão de alguma forma serem úteis para o nosso dia-a-dia. A F1 é ciência em constante evolução, a uma velocidade estonteante. Mas ainda assim a F1 parece começar a perder o interesse. O porquê desse fenómeno?  

Razão 1: Os Pilotos.
Já o referimos algumas vezes mas teremos de o fazer de novo. Os pilotos de hoje em dia são muito diferentes dos que fizeram, no passado, a F1 crescer. O carisma, o carácter, a forma de estar dos pilotos agora é diferente. São máquinas eficientes, que levam a vida completamente dedicada ao desporto, cujo único objectivo e dar o máximo nas corridas. Não os devemos culpar, pois o desporto evoluiu assim e quem não o fizer está condenado ao fracasso. Mas falta uma vertente mais humana ao desporto. Algo que Kimi faz ou até mesmo Webber faz. A espontaneidade, a honestidade. E também já não há rivalidades como havia no passado. O sal e a pimenta do desporto. A F1 está demasiado politicamente correcta começando pelos pilotos.  

Razão 2: A evolução dos carros.
Sempre foi o calcanhar de Aquiles da F1. A evolução é a palavra de ordem da F1. Os carros agora são maravilhas tecnológicas, que desafiam todos os limites. Mas a evolução vem com um preço. Basta lembrar a Ferrari dos tempos de Schumacher ou a Red Bull de Vettel. O domínio do carro é tal que as pessoas desconfiam do talento dos pilotos. Ninguém duvida que Vettel, noutro carro, não teria um domínio tão avassalador. Mas será justo diminuir desta forma o seu talento? É óbvio que as pessoas gostam da parte tecnológica do desporto (acho que essa parte é fenomenal mas tende a ser menosprezada), mas o que verdadeiramente interessa é o confronto dos pilotos. O confronto de estilos, de talentos. O espírito mais primitivo da competição, em que os homens lutam entre si e os carros apenas são meras ferramentas. Esse sempre foi o grande trunfo da F1 e que com a “falta de sal” dos pilotos, juntamente com a enorme evolução dos carros, se tem esfumado nos últimos tempos.
 
E a evolução dos carros é muito cara. O que leva a que apenas as equipas com mais dinheiro possam ter capacidade de lutar por vitórias. 
E tudo isto leva a maioria a desacreditar no desporto. Afinal é só por causa do carro que ele venceu. Quando o lado mais humano do desporto é desvalorizado, as pessoas tem tendência a dar menos valor ao desporto.

Razão 3: O dinheiro.
Como toda a F1 é uma questão de tecnologia e inovação, quem tiver mais dinheiro para evoluir mais facilmente vencerá. E isso levou as equipas a gastar fortunas. O que faz com que agora o desporto seja muito difícil de gerir. Afinal a crise que afecta o mundo há quase 10 anos, também se faz sentir no mundo rico da F1. Além das grande equipas terem mais dificuldades em financiarem-se, as pequenas equipas lutam diariamente para sobreviver. E isso leva a que se crie um fosso muito grande entre os ricos e os menos ricos do Paddock, o que origina uma queda da competitividade.

Outro problema, que a falta de dinheiro (ou o gasto exagerado) implica, é o uso de cada vez mais pilotos pagantes, que mesmo sem ponta de talento para conduzir um F1, vão se mantendo no desporto apenas porque tem bolsos fundos e cheios de notas. E a F1 deveria ter apenas os melhores. A Modalidade nº1 do automobilismo devia ter apenas os mais talentosos. Mas hoje em dia isso não acontece, pois por vezes o talento é secundário e o dinheiro é que abre as portas. Só assim se explica que Hulkenberg não seja piloto da Lotus neste momento e que seja Maldonado o escolhido.

Além disso há muitos interesses no desporto. Bernie Ecclestone tem demasiado poder e a sua visão não tem favorecido em nada a F1. A busca incessante de dinheiro, para que não fique a perder ( ele e os seus amigos), levou a erros que custaram bastante à modalidade. Ir para o Bahrain, onde as condições politicas e sociais são conhecidas e onde o povo não queria a prova no seu território, diz bem do que Bernie é capaz de fazer por um bom lucro.


Razão 4: O afastamento do público.
Penso ser esta a razão maior para o declínio que se vive. Os problemas acima mencionados sempre foram uma constante ao longo da vida da F1. Mas se o grande circo já era um mundo elitista, ultimamente isso faz-se sentir cada vez mais. O público é cada vez mais posto de parte. Sim temos conferências de imprensa, entrevistas, vídeos de tudo que se passa. Mas falta algo. Por exemplo, o facto de a FIA não autorizar os famosos “donuts”. Para o público é muito bom ver o piloto festejar. O festejo mistura o som do motor, o fumo dos pneus queimados, o movimento do carro. Tudo que procuramos numa corrida, ali concentrado num momento. Mas por vontade da FIA isso nunca aconteceria. Segurança, dizem eles. Ok somos a favor da segurança e não queremos que isso seja posto em causa. Mas caramba uns simples donuts vão matar alguém? 

Este é apenas um exemplo do que se passa. Outro exemplo é o esquecimento de pistas fantásticas e com muita história, para que possam existir corridas em outros países onde o dinheiro flui com mais força. Mas será que essas pistas têm a qualidade para nos dar boas corridas? Pelo que se tem visto não.

Cada vez mais a F1 servida de maneira fria, tanto pela FIA, como pelas equipas e pilotos. A Lotus durante esta época deu uma receita para as equipas ultrapassarem esse vazio. Original, com poucos custos e onde a adesão dos fãs foi grande.

Mas o maior problema é a transmissão das corridas. Antigamente a malta via a F1 em canal aberto. Todos viam, ou davam uma vista de olhos ao que se passava. Desde que a grande maioria dos países passou a transmitir as corridas em canal fechado, os fãs foram abandonado e apenas os apaixonados se mantiveram e tentam ver as corridas. Perderam-se muitos adeptos com as transmissões em canal fechado.

As pessoas querem entretenimento de acesso fácil. Se para ver uma corrida tenho de me levantar as 6 da manhã, ( o que tem de ser... ninguém tem culpa dos fusos horários) e das duas uma, ou pago uma fortuna por um serviço de televisão, ou sujeito me a uma transmissão com menos qualidade por outros meios, a vontade da maioria diminui e muito. É preciso gostar mesmo para se sujeitar a isso. Não era melhor transmitir em canal aberto para que quem goste veja e quem não gosta tanto tenha possibilidade de ver também e passar a gostar?


É preciso que os fãs voltem em força para a F1. Havendo mais fãs haverá mais vontade de patrocinadores entrarem. Mais patrocinadores, implica mais dinheiro para a modalidade. Mais dinheiro poderá implicar que a modalidade volte a ser competitiva, pois mais equipas poderão melhorar e aproximarem se dos grandes do paddock.

Como fazer isso? Dar liberdade de expressão aos pilotos, proporcionar corridas emocionantes com final inesperado, e permitir que o publico tenha acesso fácil a tudo isto.
  
A F1 sempre esteve no fio da navalha no que diz respeito ao seu sucesso, mas de uma maneira ou outra sempre foi conseguindo uma larga franja de adeptos. Mas é necessário que sejam pensadas soluções para que volte a existir uma F1 à antiga. Emocionante, que cativa as pessoas, com história, com surpresas e acima de tudo  acessível a todos. Só assim o futuro poderá estar garantido.






Fábio Mendes