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segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Adrian Newey: o génio da F1.

Nem só de pilotos são feitas as lendas da F1. Há homens que por força do seu talento, da sua inteligência e do seu carácter escreveram o seu nome de forma indelével na história da categoria rainha do automobilismo.

Um desses homens e que tem sido ultimamente muito referenciado é Adrian Newey, o mágico da Red Bull. Foi dito por alguém que um piloto médio com um bom carro pode ser campeão mas um piloto bom com um carro médio não o consegue. E temos o exemplo de Alonso para confirmar esta teoria. A verdade é que Vettel tem vencido graças ao seu talento mas graças também ao talento do engenheiro projectista que desde 1988 desenha carros de competição e cujo sucesso é característica comum a muitos deles.

Cedo começou a trilhar o caminho do sucesso tendo recebido vários prémios como estudante. Em 1980 quando acabou os estudos, começou a trabalhar logo no desporto motorizado, sendo empregado pela March. Começou pela Formula 2 como engenheiro de performance, passando depois para os IndyCar, onde começou a desenhar os carros. O primeiro carro desenhado pela sua mão conseguiu 7 vitórias, uma delas na famosa Indy 500. Esteve na Indy de 84 a 88 ano em que se mudou para a Formula 1, também na March. O March 881 de Newey mostrou-se bem mais competitivo do que o esperado com resultados muito positivos. O seu carro ficou com o recorde de 88 de carro mais rápido, com motores atmosféricos (não sendo sombra para os motores turbo da altura).

Com a mudança da March, passando a denominar-se Leyton House as coisas começaram a crispar-se para Newey, que embora fazendo alguns bons resultados, foi despedido no final de 1990. Não foi problema para ele pois Patrick Head, director técnico da Williams tratou logo de assinar contracto com ele.

A partir daqui a história é conhecida. O domínio dos McLaren ainda se fez sentir até 91 e a partir dai os avanços tecnológicos colocados nos Williams fizeram deles carros imbatíveis. A dupla Head/Newey começava a dar frutos. O Domínio durou 5 anos até que Newey, que queria ser chefe do departamento técnico mas que não podia uma vez que Head, para além de director chefe era também accionista da equipa. Isso aliado à vitória dos Benetton no campeonato levou a um descontentamento crescente que levou à saída de Newey para a McLaren.

Em 1997 entra para a McLaren, não conseguindo influenciar muito no rendimento do carro desse ano. Mas o ano seguinte traria mudanças nos regulamentos, que foram aproveitados por Newey e pela McLaren para vencer o campeonato de pilotos em 1998 e 99 e o campeonato de construtores de 98. Mas a falta de fiabilidade levou a que o potencial dos carros fosse mascarado pelas constantes falhas mecânicas.
Em 2006 depois de cumprir os 6 meses de afastamento obrigatórios, mudou-se para a Red Bull. Os primeiros anos não foram fáceis e os resultados demoraram a aparecer mas com a entrada de Vettel a história mudou radicalmente e desde 2010 que a Red Bull tem dominado a Fórmula 1, aliando o talento do jovem alemão à mestria do génio britânico.

No entanto nem só de momentos de glória é feita a carreira de Newey. O ano de 94 foi trágico para todos os fãs da F1 e especialmente para ele. O mítico Ayrton Senna morria em Imola ao volante de um carro desenhado por Newey. Foi acusado em tribunal mas foi absolvido no final do processo. Mas é uma marca profunda que se mantém. O próprio já admitiu que ponderou abandonar a F1 e que gostava de ter dado a Senna um carro que lhe permitisse lutar por vitórias, algo que não foi possível nesse ano. Uma dupla Newey / Senna seria capaz de conquistar o mundo e muito mais.

A história de Newey é, como a de qualquer engenheiro que se preze, feita de números. E muitos deles são impressionantes. Tem no seu registo 148 vitórias (inclui todos os carros que tiveram a contribuição do britânico) 207 pódios e 10 carros campeões do mundo. São números impressionantes que dizem bem o contributo que Newey deu à modalidade. A sua capacidade de dar a volta aos regulamentos é impressionante. Deve ser dos poucos projectistas do mundo a usar régua e esquadro para trabalhar, abdicando dos avançados programas usados regularmente.

Sem querer tirar o mérito a tantos outro engenheiros que trabalham arduamente todos os dias para fazer mais e melhor, acho que podemos comparar Newey a outro grande nome... Colin Chapman, o génio fundador da Lotus, que revolucionou a aerodinâmica da F1 e que colocou a Lotus na história da modalidade. Newey é o mais próximo de Chapman que a F1 viu até agora. 

Para além de desenhar também compete de vez em quando como piloto, mas já demonstrou por mais que uma vez que o talento que tem a desenhar carros é infinitamente maior do que a conduzir os mesmos. Mas já conduziu um Red Bull desenhado por ele e Horner temeu pela integridade de Newey, uma vez que ele ia cada vez mais depressa.  Tudo correu bem e no final a Red Bull manteve intacto o seu génio.

Nos últimos dias Adrian Newey disse que já pensa em retirar-se da F1 para abraçar outros projectos. Quando isso acontecer será uma perda tremenda para aRed Bull e a F1. É difícil conciliar tanto talento numa pessoa. Se a Red Bull é dominadora neste momento deve-o também em grande parte a Newey (não querendo menosprezar o trabalho de tantos outros).

Mais um nome para a galeria dos inesquecíveis da F1.

Fica aqui o X1, a ideia de Newey do que seria um F1 se não tivesse de se seguir pelos regulamentos, que foi usada para o jogo Gran Turismo:




Newey ao volante do March 881 e do RB6.





Fotos:
retiradas através do google.pt

Fontes:
autosport.com
statsf1.com
f1fanatic.co.uk
redbull.com

Fábio Mendes

terça-feira, 1 de outubro de 2013

Onde está a vantagem dos carros da Red Bull?

A Red Bull é a equipa a abater neste momento. Tem estado sempre na frente, no desenvolvimento do carro e por consequência na classificação.

Ontem surgiram artigos em que se dizia que o antigo proprietário da Minardi suspeitava que o carro de Vettel tinha um som diferente essencialmente a meio da curva e que assemelhava muito ao som emitido pelos motores quando estes tinham controlo de tracção.

Já não é a primeira vez que se suspeita disso este ano. Basta lembrar uma imagem captada no GP do Canada em que se via uma marca de pneus descontínua na saída do gancho do casino, marca essa que deixou no ar a dúvida.

Com mais esta suspeita levantada, a Autosprint veio mostrar um vídeo onde se ouve claramente o som diferente do motor de Vettel. Mas a Autosprint não acredita que se trate de um sistema de controlo de tracção uma vez que essa tecnologia foi banida há algum tempo, mas sim de um sistema “escondido” muito parecido aos “Blown Diffuser” usado em 2011. James Allen também acredita mais na última hipótese.

Infelizmente não somos mecânicos para explicar estes componentes da melhor forma mas iremos tentar.

O difusor é uma peça colocada na traseira do carro que permite que o fluxo de ar que circula debaixo do carro percorra esse trajecto de forma mais rápida do que o ar que circula no topo do carro. Isso vai provocar o chamado efeito de Venturi, ou seja, a pressão debaixo do carro é menor e como tal a maior pressão no topo do carro vai como que “empurrar” o carro contra o chão aumentado a aderência. Essa tecnologia foi introduzida, embora com outros componentes e de forma diferente, nos final dos anos 60 pela Lotus e pela BRM. A Brawn GP e Button venceram  o campeonato em 2009 graças a uma modificação feita nos difusores que só 6 corridas depois foi implementada pelas outras equipas. Foi o suficiente para chegarem à frente terem a vantagem para gerir o campeonato.Isto mostra bem a importância deste componente.

Mais tarde surgiram os “Blown Diffusers” . Os gases de escape normalmente são direccionados para zona especificas na traseira do carro para aumentar o “downforce”. Entretanto várias equipas começaram a direccionar os escapes para os difusores, para aumentar a velocidade de circulação do ar por baixo do carro e como tal diminuir a pressão debaixo do carro  e aumentando a aderência.


Os primeiros “Blown diffusers” usados foram chamados de “frios”, pois resultavam do ar que passava no motor, quando o piloto não tinha o pé no acelerador. Retirar o fluxo de ar do difusor do carro, implicaria perda de “downforce” e consequentemente de aderência. Uma vez que o piloto à entrada de uma curva, normalmente, está a travar e não tem o pé no acelerador, os gases de escape diminuem, o efeito de Venturi diminui e isso faz com que a aderência diminua numa altura critica. Com essa tecnologia, mesmo sem estar a acelerar, o fluxo do ar, embora menor, continua a chegar ao difusor mantendo a aderência do carro.

A Red Bull inovou essa área em 2011 e criou os “Blown diffusers” quentes. O principio é o mesmo mas com uma diferença. Quando o piloto retira o pé do acelerador,  o motor continua receber combustível de forma a aquecer os gases e manter assim um fluxo de ar constante mesmo quando o piloto não tem o pé no acelerador, o que dá mais estabilidade ao carro e mais confiança ao piloto, criando mais downforce do que com os "blown diffuser´s" frios. 

Mas a tecnologia tinha um senão. Consumos até 15% mais elevados e nível de desgaste do motor muito maior. Uma vez que a F1 quer reduzir custos, esta tecnologia foi banida por ser demasiado cara. Os carros com essa tecnologia tinham um som característico de  motor nas entradas e a meio das curvas. Além disso a temperatura dos gases de escape é muito elevada e várias equipas sofreram, com peças da parte traseira a ficarem derretidas por causa do sistema. Apenas a Red Bull dominava a tecnologia e em 2011 construiu o carro à volta deste tipo de difusores, sendo a peça fundamental nesse ano.

O vídeo mostrado pela Autosprint do carro de Vettel faz lembrar o uso de "Blown difusers". A Red Bull pode estar a usar um tipo de afinação no motor que permite, embora de forma escondida, o mesmo efeito. Pode ser essa a chave da aderência superior em relação aos outros carros. Pode haver quem diga que é apenas o som característico de combustível não queimado, quando se tira o pé do acelerador. Nós também não sabemos. Apenas estamos a falar de um assunto que foi questionado por gente que esteve ou está por dentro da F1. 

São suposições mas uma coisa é certa. Newey é um génio e um mestre no que diz respeito em contornar as regras da FIA e molda-las a seu favor ( o que é bom pois faz aumentar o nível de exigência dos engenheiros e este jogo do rato e do gato nas questões técnicas também e interessante).


Ficam os vídeos para compararem:


Video de 2011 em que os "Blown diffuser´s" da Red Bull dominavam. Reparem na diferença do som do motor dos Red Bull para os outros carros.



link do video em que se ouve um som semelhante ao que os motores faziam em 2011 :

http://www.youtube.com/watch?v=eH4RxQx7J4c


Fontes:
f1zone.net
f1.com
jamesallenonf1.com

Fotos:
retiradas da net.

Fábio Mendes