Mostrar mensagens com a etiqueta Opinião:. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Opinião:. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

E se Kimi for mesmo para a Ferrari?

Nos últimos dias tem sido recorrentes os rumores que dizem que Kimi Raikkonen vai trocar a Lotus pela Ferrari. Como não há fumo sem fogo é pois necessário começar a considerar seriamente essa hipótese.

Kimi na Ferrari faz sentido?

Do ponto de vista de Ferrari a escolha faz todo o sentido. A equipa tem dinheiro (muito dinheiro) mas os resultados não aparecem. Uma mini revolução tem ocorrido em Maranello, inicialmente a nível de infra-estruturas com melhorias e um novo túnel de vento, que tem causado muitos problemas até agora. De seguida o reforço do departamento técnico com James Allison, que deixou a Lotus para se juntar a Pat Fry (outro grande nome) e companhia formando, provavelmente a par da Mercedes, a melhor equipa técnica da F1. Com reforços em todas as áreas estratégicas falta reforçar apenas uma. Os pilotos. Alonso é do melhor que há mas Massa, desde 2009 que nunca mais convenceu ninguém e está certamente na porta de saída. Obviamente que ficando um lugar vago há duas hipóteses: Ir buscar um jovem piloto com margem de progressão e fazer com que ele cresça com a equipa; Ou ir buscar um piloto feito que permita resultados imediatos. E a Ferrari quer / necessita de resultados imediatos. O avultado investimento não pode cair em saco roto. E de todos os pilotos, qual é aquele que é sinónimo de resultados? Kimi Raikkonen obviamente. E assim a Ferrari faz uma jogada estratégica e de marketing, pois Kimi é também sinonimo de Fãs. O post de ontem de Pedro Mendes sobre a dupla maravilha continua a fazer todo o sentido, embora os envolvidos passem a ser Alonso e a Ferrari em vez de Vettel e a Red Bull. Tudo o resto é igual. O choque de egos (que até será maior com Alonso do que com Vettel), a vontade de criar uma equipa dominadora que vem de uma fase menos boa. A ideia pertinente que o post encerra faz ainda mais sentido na Ferrari.

Poderá dar-se o caso também de Kimi ser o substituto de Alonso na Scuderia. O descontentamento do espanhol é visível. Talento tem para dar e vender e o carro não o ajuda a ganhar. E o ambiente pode estar a azedar em Maranello, visto as ultimas declarações do presidente da Ferrari. E assim seria Alonso a fazer companhia a Vettel. Mas o alemão já disse que Alonso não é o seu preferido e por certo a Red Bull não quererá ver o seu tri-campeão do mundo descontente com a opção do seu colega de equipa, embora publicamente Horner tivesse dito que a escolha não depende de Vettel. Para alguns entendidos esta é a mudança mais provável, caso Kimi vá para a Ferrari. Pessoalmente não acho que o seja pois Alonso tem um ego muito maior que Kimi e viu-se pela convivência que teve com Hamilton na McLaren que não é um piloto fácil quando as coisas não estão do seu agrado ( embora a experiência e a idade do espanhol já permitam outro tipo de comportamento). Trabalhar com Kimi parece assim menos complicado para a Red Bull. E a Ferrari não quererá despachar o piloto que melhor se tem exibido nos últimos tempos e que tem garantido resultados mesmo quando o carro não o fazia prever. A minha a opinião pessoal caso Kimi vá para a Ferraril é o cenário descrito mais acima no qual se junta Alonso na Scuderia, para permitir resultados imediatos e como tal seguirei com essa linha de raciocínio no post.

Qual será o melhor desafio?

Há o aspecto pessoal do piloto. A mudança para a Red Bull seria um passo seguro. A Red Bull deve ser neste momento a equipa que melhor trabalha. E ir para lá seria quase pela certa sinónimo de vitórias. O único ponto de interesse seria ver se conseguiria suplantar Vettel na sua própria casa. O desafio Ferrari é bem maior. É necessário primeiro desenvolver o carro, depois começar a ganhar e fazer frente a Alonso (que para muitos é melhor que Vettel). Seria um desafio parecido ao que Hamilton assumiu quando foi para a Mercedes, com o extra de ter de lutar com Alonso na sua casa, onde é dono e senhor. Se Kimi conseguisse isso seria uma vitória pessoal tremenda, ele que foi o ultimo campeão pela Ferrari. A motivação no caso da ida para a Ferrari seria muito maior assim como a dificuldade do desafio.

O que esta troca implica para os outros pilotos?

Em relação ao efeito dominó nesta mudança? É provável que tenha um desfecho que nos agrada mais. Isto porquê? Se Kimi for para a Ferrari implica que Ricciardo irá para a Red Bull (muitas interrogações sobre o rendimento do australiano, se subir para a equipa principal). Ou seja, fica uma vaga na Toro Rosso, uma vez que Vergne é para manter. E Tost, chefe da Toro Rosso, já veio dizer que Félix da Costa é um dos fortes candidatos ao possível lugar vago. E depois há o lugar deixado vago por Kimi na Lotus, cujo principal candidato ( no nosso entender) parece ser Hulkenberg, dadas as dificuldades da Sauber a nível financeiro.

Em resumo,  teríamos Félix da Costa a mostrar o que vale na Toro Rosso, Hulkenberg na Lotus que a nosso ver seria o passo ideal para o alemão mostrar o seu valor. Há ainda o caso Di Resta que tem vontade de dar o salto. Mas é de ter em conta que a Force India está a apostar também no reforço de condições a nível de infra-estruturas com um investimento feito recentemente nesse sentido, a fim de se poder afirmar definitivamente na F1, subir mais um degrau e começar a fazer verdadeiramente frente às equipas grandes Para isso tem de manter uma boa dupla de pilotos e não seria de estranhar se Di Resta ficasse mais um ano com a promessa de ver as suas possibilidades de vencer aumentadas.

Caso Kimi vá para a Red Bull, as possíveis movimentações implicariam a entrada de um novo piloto para a Ferrari ( Hulkenberg, Di Resta ou Bianchi até) e para a Lotus ( Hulkenberg e Di Resta outra vez) com a Toro Rosso a manter a dupla. Neste caso as possibilidades de Féliz subir à F1 seriam quase nulas.


Tudo isto são meras hipóteses que achamos que fazem sentido.Muita tinta vai ainda correr durante estes próximos tempos e se calhar os cenários aqui propostos não se verificarão. Mas uma coisa parece certa. A decisão de Kimi irá influenciar não só o seu futuro como o futuro de outros pilotos. Ficamos à espera de ver qual será o desfecho, tendo uma esperança que para o ano haja um português no grande circo.


Fábio Mendes

domingo, 14 de julho de 2013

Poderá uma mulher conduzir um Formula 1?

O que distancia as mulheres das pistas de Formula 1? Não questiono como admiradoras do desporto, pois vemos cada vez mais mulheres a assistir aos grandes prémios, mas sim como piloto. Porque não vemos mulheres ao volante de um F1?

Poucas foram as felizardas que já tiveram a oportunidade de o fazer, das quais, apenas cinco entraram em pelo menos um grande prémio:

1958-1959 Maria Teresa de Fillipis
1974-1976 Lella Lombardi
1976-1978 Divina Galica
1980 Desiré Wilson
1992 Giovanna Amati

Destas destacou-se Lella Lombardi (italiana) que entrou em dezassete grandes prémios, começando doze corridas. A única piloto feminina a pontuar na Formula 1.

Nem todas foram um sucesso quanto ao seu desempenho no desporto nobre, mas tal também acontece com elementos do sexo masculino. 
Surge então a pergunta, porque os elementos do sexo feminino não são uma aposta neste desporto? É sabido que a Formula 1 é um desporto que exige muito fisicamente de um piloto, mas será essa a principal razão para manter as mulheres afastadas desta modalidade do automobilismo? As mulheres têm muito menos massa muscular comparativamente aos homens e também, menos apetência a ganhá-la. É necessário músculos bem desenvolvidos em diferentes zonas do corpo para conseguir aguentar uma corrida, em que o corpo é sujeito à aceleração, vibração e choque do carro. Pode ser muito agressiva a condução de um F1. Requereria anos de treino muscular para que uma mulher pudesse ter a forma física de um piloto de topo da F1.

Sir Stirling Moss (ex. automobilista britânico de F1) disse que apesar de haver mulheres fortes e robustas, acredita que as mulheres não têm força mental para competir devido há falta de capacidade das mulheres para lidar com o stresse mental.
Com todo o respeito ao Sir Stirling Moss, mas tenho de discordar. O risco é iminente em vários desportos e se nos focarmos no automobilismo, está bem presente em todas as modalidades. E mesmo assim, vemos mulheres em competição em muitas delas. Um bom exemplo disso é a americana Danica Patrick (norte-americana) que compete na NASCAR e até então tem tido bons resultados.

 Dois nomes femininos juntaram-se à Formula 1 recentemente: Maria de Villota (espanhola) e Susie Wolff (britânica).
Maria foi obrigada a afastar-se em Julho de 2012 devido a um incidente durante um treino como piloto de testes da equipa Marussia, que quase lhe custou a vida. Para além de outros problemas físicos, ficou sem o olho direito.

Susie assinou em 2012 como piloto de desenvolvimento da equipa Williams, da qual faz parte até ao momento.

Será que vamos ver Danica Patrick ou Susi Wolff como piloto de F1 em 2014? A questão fica em aberto…

 Danica   VS   Susie

Bernie Ecclestone, Presidente da FOM (Formula One Management)), disse recentemente que procura uma mulher para a Formula 1. Quando lhe é sugerida Danica, este assume ser uma boa candidata. Contudo, em entrevistas anteriores confrontado com esta ideia, afirmou que as mulheres devem vestir-se de branco como todos os outros electrodoméstico. Mais tarde, pediu desculpa a Danica, mas repetiu o mesmo tipo de comentários, chegando a dizer que as mulheres nunca atingiriam a excelência na F1.
Quando confrontado sobre Susie Wolff, este lançou um cometário também bastante desagradável, dizendo que se a Susie fosse tão rápida como bem-parecida que é, seria um grande trunfo. Uma controvérsia bastante intrigante, por sinal…
 
Quero acreditar que não é devido a este tipo de opiniões e mentalidades como esta, que as mulheres não fazem parte desta modalidade do automobilismo.  


Élia Paulo

segunda-feira, 1 de julho de 2013

Pirelli vs F1

Os donos da Pirelli já devem de estar arrependidos por serem o fornecedor de pneus na F1...e devem de estar com as orelhas a arder, de tanto se falar deles!

Se em Maio, depois do GP da Catalunha, já estava instalada a confusão, tal como postamos no nosso blog, depois deste fim de semana pior ainda.
Em Silverstone, em apenas 52 voltas rebentaram 4 pneus, todos na traseira e do lado esquerdo, que já de si é muito estranho e inseguro. Sabe-se agora que Charlie Whiting, o director de corrida da FIA, esteve para interromper a corrida por levantar questões de segurança para os pilotos. Felipe Massa, afirmou mesmo que compreenderia tal decisão, já que o sentiu na pele. Mas também tem que ser dito, que o mesmo Charlie Whiting, na vistoria que fez à pista antes do GP, não encontrou nada de estranho na pista, pelo menos não o colocou no relatório que é entregue a equipas e comunicação social.

Na altura do rebentamento do pneu do carro de Vergne, pôs-se a possibilidade de os corretores da curva 3 e 4, poderem ter algum elemento que contribuísse para o arrebentamento dos pneus. Hoje os responsáveis de Silverstone já disseram que estão indignados com o levantar desta possibilidade.


A própria Red Bull, via rádio, avisou Sebastian Vettel, que tinham encontrado cortes no pneu durante a troca. Os engenheiros da Pirelli chegaram a recomendar às equipas que aumentassem a pressão dos pneus para 2 psi.


Quarta feira está agendada uma reunião em Paris, entre FIA, Pirelli e as equipas, que vai dar muito que falar, mas vamos ao cerne da questão:
Será mesmo que ao rebentar 4 pneus, todos do mesmo lado, todos na traseira dos carros, a culpa é exclusivamente dos pneus?
Nós, no Chicane, não conseguimos consenso...eu especialmente digo que por mais estranho que pareça, e caindo no erro de achar que é pura coincidência serem todos do mesmo lado, mas sim, a culpa é dos pneus. Salvaguardando, que é a minha opinião e que não reflecte a opinião dos demais do grupo. A minha argumentação é a seguinte: toda a gente sabe que os pneus da Pirelli se degradam rapidamente (propositadamente, foi assim que lhes foi pedido por parte da FIA e a própria marca já pediu ao organismo que tutela a F1, para integrar um novo pneu, com compostos de kevlar, que seria mais forte do que o actual, tal proposta foi-lhes negada, porque Ferrari, Force India e Lotus, não concordam) e toda a gente sabe que os Pirelli têm tendência a rebentar, mesmo ponderando que existisse uma face do corrector, tal como o vídeo da BBC explica, que poderia cortar a borracha, os pneus deveriam ter de suportar essas agressões. Por outro lado, não considero a Pirelli culpada. Este é outro assunto. Deveriam a FIA, Pirelli e as equipas, terem chegado, já, a um acordo que salvaguardasse a segurança dos pilotos e o desporto. Não é possivel, termos um rebentamento de um pneu, numa recta, onde a velocidade pode atingir os 290 km/h e depois avisar as equipas para colocarem mais pressão nos pneus.

Os pilotos já ponderam o boicote ao GP da Alemanha, em Nurburgring, porque mesmo que sejam feitas alterações aos pneus, a marca italiana não as consegue incluir neste próximo GP, marcado para o próximo fim de semana, apenas para o GP da Hungria, no fim do mês.

Mais conclusões conseguiremos tirar, na quarta feira, dia em que estaremos muito atentos ás medidas que se possam vir a tomar. A verdade é uma só: este caso não faz bem à F1.



Fotos e vídeo:
youtube.com
facebook.com/JBFansAroundWorld?hc_location=stream
motorsport.com

Pedro Mendes

terça-feira, 16 de abril de 2013

"Checo” Mate? Terá sido Perez a melhor opção?



Depois do 3º GP, começam a surgir as primeiras dúvidas sobre Sérgio Perez e a sua valia.

Perez foi contratado pela McLaren no ano passado, pouco tempo depois de ter feito um brilharete em Monza. Com uma corrida irrepreensível, o Mexicano conseguia acabar em 2º lugar, com o seu Sauber. Meses antes, na Malásia, tinha feito igual numa corrida marcada por muita chuva. Passou a ser visto com outros olhos. Sabia gerir muito bem os pneus, sendo muito competitivo e rápido em corrida. Faltava-lhe mais velocidade nas qualificações. 

Com o piloto em alta e com Hamilton de saída, a equipa de Woking tinha de fazer uma escolha. Falou-se em Di Resta como candidato, estando Hulkenberg também em equação. Mas a escolha recaiu no homem de quem todos falavam. Perez seria o sucessor de Hamilton.

Depois de ter assinado o novo contrato, o rendimento caiu um pouco, mas todos esperavam que quando se sentasse ao volante do McLaren as coisas mudariam de figura.

Acontece que, ao contrário do que todos esperavam, a McLaren apresentou um carro fraco. Muito pouco estável, com problemas ao nível da aerodinâmica, o novo MP4/28 não é o melhor carro para Perez brilhar. Temos de ter em conta que a pressão mediática é muito superior e que, aliado a essa nova pressão, o mexicano teve (e tem) de se adaptar a novos métodos de trabalho, novas pessoas a sua volta.

Além disso tudo, o seu rendimento tem como termo de comparação o do seu companheiro de equipa, Button, que é “apenas” campeão do mundo e o piloto mais experiente do paddock, com muitos Km´s já percorridos, tendo já enfrentado várias vezes suspeitas ( tal como o seu colega de equipa agora enfrenta) e tendo já conduzido carros francamente fracos. Comparar o rendimento de um jovem que acaba de chegar com um piloto titulado, que está desde 2000 a competir, tendo já passado por quase tudo que há para passar na F1 é injusto.

Neste caso, e como uma análise objectiva necessita da frieza dos números, vamos recorrer a eles, comparando Perez com Di Resta e Hulkenberg, que estiveram em equação para a McLaren e que estão no mesmo patamar neste momento.

 
Perez:
23 anos
Inicio em 2011 ( 3 épocas)
40GP
82Pontos
3 pódios ( 2º lugar Malásia e Monza, 3º em Montreal tudo em 2012)
Melhor qualificação : 4º lugar

Vamos ver os números de Di Resta, um dos pilotos que estava na calhar para o lugar agora ocupado pelo mexicano.

Di Resta :
27 anos
Inicio em 2011( 4 épocas)
42 GP
81 pontos
Melhor qualificação: 6º
Melhor resultado: 4º ( Singapura 2012)

Como vemos, a escolha entre os dois seria óbvia. Perez embora tenha começado no mesmo ano, tem menos uma época de F1 e já conseguiu 3 pódios. Ao nível de consistência de resultados a balança pende ligeiramente para o mexicano também. 

Vamos agora fazer a comparação com o piloto que Brundle diz, deveria ter sido o escolhido.

Hulkenberg:
25 anos
Inicio em 2010 (4 épocas) ficou de fora em 2011 por causa de Maldonado. Foi 3º piloto da Force India nesse ano por ter perdido o lugar para Di Resta.
41 GP
90 pontos
1 pole position
Melhor resultado: 4º lugar

Ao nível da consistência de resultados, não há diferenças significativas entre o alemão e o mexicano.
A escolha neste caso torna-se mais complicada. Mas tendo em conta que o Perez já tinha 3 pódios no seu registo, tornava-se lógico escolhe-lo em detrimento de Hulkenberg, embora o alemão mostre qualidade e consistência.


A nossa opinião é que Perez ainda vai dar muito que falar. É bom piloto em corrida e no ano passado proporcionou dos melhores momentos que se viram, com ultrapassagens de grande qualidade.
 O que acontece é que o director da McLaren ao dizer que ele precisa de ser mais duro em pista, serve apenas para o espicaçar e para lhe dar autorização de defender mais ferozmente o seu espaço, não tendo medo das críticas que lhe foram feitas por Hamilton por exemplo que o acusou de ter sido demasiado agressivo. Quando a McLaren lhe der um carro mais competitivo e quando o jovem piloto assentar de vez irá lutar por vitórias.

Admitimos que Hulkenberg neste momento é mais completo e está acima de Perez, merecendo inclusive uma equipa melhor que a Sauber para mostrar o seu talento. Mas o potencial de “Checo” é grande e se ele tiver força mental para o mostrar, poderá ter o seu espaço na história da F1. Se conseguir passar por esta fase menos boa, tem tudo para ser o homem certo no lugar certo. O tempo nos dirá. 





Fábio Mendes

segunda-feira, 25 de março de 2013

Opinião: Webber vs Vettel. O caso do “Multi 21”




 O que se pensa quando se fala de Formula 1? Carros que mais parecem aeronaves a velocidades muito elevadas. Pilotos. Competição. 

Vamo-nos focar nos pilotos. Desde sempre que a F1 tem-nos brindado com pilotos cuja personalidade e carácter fazem deles muito mais que meros profissionais do volante. Pessoas apaixonadas, dedicadas, focadas em vencer, as vezes a qualquer custo.

 A mesma história da f1 deu batalhas como as de Arnoux contra Villneuve, Senna contra Prost etc. Todos os que tiveram o privilégio de assistir a essas lutas vibraram. A intensidade que os homens colocaram nas máquinas, os erros aproveitados pelos adversários, a irreverência dos actores principais. Tudo isto ajudou a definir a f1 tal como ela hoje é conhecida. Porque sempre houve grandes pilotos e sempre houve competição.

Chegado ao fim do GP da Malásia penso que se tivesse pago bilhete para ir ver in loco sentir-me-ia lesado.

Desde sempre que existiram ordens de equipa. Sempre houve um piloto mais beneficiado que outro. Faz parte do desporto. Mas na mesma corrida essas ordens de equipa impediram um desfecho diferente em 2 
 ocasiões.

O caso Rosberg vs Hamilton. 

Rosberg tinha andamento e vontade de passar Hamilton. Não o fez por ordens superiores depois de quase ter implorado para passar. Afinal estava um lugar no pódio em jogo. A justificação de que o seu colega de equipa tinha de poupar combustível assim como ele também. Plausível e aceitável. Mas não ficará um sabor de injustiça para quem quer tentar mais, quem quer dar espectáculo, quem realmente quer vencer e é impedido por politiquices? Óbvio que sim. Mas Rosberg parece um “team player” e embora tenha ficado magoado o caso não terá demasiadas repercussões a curto prazo.


O caso Webber vs Vettel.
O que me faz escrever estas linhas. Hoje pela primeira vez tive de ver um piloto pedir desculpa por ter ganho e por ter uma vontade quase irracional de ganhar. Obriga-me a perguntar se não e esta mesma característica que fez de Senna ou Prost ou Fangio ou Schumacher os campeões que foram?
Hoje vi um piloto visivelmente frustrado e com toda a justiça pois seguia as directrizes ditadas antes da prova. E por essas Vettel não passaria por ele. Mas o alemão decidiu de outra forma. Resultado? Simples. O melhor momento do GP. Dois excelentes pilotos a esgrimirem argumentos no asfalto e a proporcionarem um espectáculo digno da F1. Pergunto eu não será por isto que nos levantamos cedo para ver a corrida?


Não é minha intenção defender Vettel. Não devia ter feito o que fez, e por várias vezes já foi protegido estando a pagar pelo seu erro e pela proteção que já usufruiu. Uma punição deveria ser aplicada. Mas também me causa estranheza ver o triplo campeão do mundo ser sancionado por fazer aquilo que trouxe vitórias a equipa.

Não é também minha intenção dizer que Webber não se deve sentir injustiçado. Quando se segue as regras e se é prejudicado é duro. Muito duro. E quem trabalha para a equipa deve ser recompensado. E o australiano já merece essa recompensa. Mas não será também ingenuidade a mais para um piloto experiente? E não estará o australiano a fazer uma cena demasiado vistosa para o filme em questão?

Não tenho por objectivo defender um ou outro ou até chegar a uma conclusão. Pois ela é deveras difícil de se obter. E é esse mesmo o meu objectivo. Fazer ver que as coisas não são ou pretas ou brancas. Não me parece que seja tudo tão linear e que o alemão deva ser crucificado e o australiano mimado. Todo este assunto é também alvo de diferentes opiniões aqui na equipa do Chicane. Mas numa coisa todos concordamos… Queremos mais duelos como o dos Red Bull.

O meu objectivo aqui é também dizer com toda a convicção que se o GP da Malásia não tivesse ordens de equipa teria sido um dos melhores dos últimos tempos. Assim é apenas um dos mais polémicos. Mas disto também vive o grande circo.

Uns ganham outros perdem. Uns são aclamados outros injustiçados. Nunca ninguém disse que era um desporto justo. Nunca foi. Mesmo assim ganhou uma legião de fãs. Esses fãs aceitam as ordens de equipas. Mas o que os fãs realmente querem… é mais acção como Webber e Vettel proporcionaram. Verdadeira competição onde os homens são avaliados pelo que fazem em pista e não apenas por números e ordens. Senão mais vale por robôs a correr. Menos ordens e mais ultrapassagens se faz favor.


O que vai acontecer agora?
Webber está agastado e nunca mais irá confiar em Vettel. Vettel esbanjou muito do crédito que tinha no seio da equipa e na opinião pública. A nosso ver Webber sairá no final da época. O episódio e o mediatismo que está a ter, farão com que não seja esquecido facilmente. Provavelmente um piloto da Toro Rosso irá para a equipa principal na próxima época (apostamos em Vergne, que está a ter bons desempenhos) dando espaço para Félix da Costa subir a F1. Mais inesperado, mas também possível é Félix da Costa subir directamente para a Red Bull. De qualquer forma o incidente pode ter aberto as portas ao português.
Mas e se for Vettel a querer bater com a porta? Se achar que, embora errando, não merece ser alvo de tanta crítica? Não nos parece muito provável. Sempre foi “ o menino da casa”. Vem do projecto Red Bull Júnior team e o alemão sabe que se quiser vencer tem de estar com a equipa. Além disso a McLaren contratou Pérez este ano e Button ainda fará mais 3 épocas.  Ferrari tem Alonso e Massa a subir de forma. Mas Montezmolo já afirmou que não se importaria de ver Vettel na Ferrari… quando Alonso sair. Misturar Alonso e Vettel na mesma equipa poderia ser explosivo. Mas a vontade do alemão pode ter sofrido um desvio depois do ultimo fim-de-semana.


Fábio Mendes.