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sexta-feira, 22 de novembro de 2013

WRC – Epílogo da época 2013. Parte 3 - Análise das equipas.

Findada que está a temporada, entregues que estão os louros, é hora de as marcas procurarem as melhores soluções para a próxima temporada. Esta “Silly Season” promete ser das mais movimentadas e animadas dos últimos anos. A entrada da Hyundai no mundial veio dar mais lugares à disposição, e a entrada de Neuville na marca Coreana, veio dar o “mote” para o inicio das “trocas” no WRC.

 
Volkswagen: 
Como em equipa que ganha não se mexe, a marca alemã mantêm toda a sua equipa de pilotos inalterado, bem como as suas posições dentro da mesma.



Citroen: 
Será sem dúvida das equipas que mais vão mexer. Com resultados modestos na época que agora terminou, Yves Matton vai ser obrigado a fazer uma remodelação total no seio da Citroen. A saída de M. Hirvonen para a Ford poderá ser uma certeza. O finlandês nunca conseguiu andar verdadeiramente confortável no Ds3 WRC, e esta temporada não venceu qualquer prova, feito que já não acontecia desde 2006. Dani Sordo é ainda uma incógnita, o espanhol terá uma proposta da Hyundai para a próxima temporada, mas a saída da Citroen não é ainda um dado adquirido. Mas como se um sai, alguém tem de entrar, rumores seguem na imprensa, que Yves Matton terá falado com F. Duval para um possível ingresso na marca francesa. Piloto com experiencia em mundiais, conhecedor de quase todas as provas do campeonato, seria  bom também em termos de marketing, voltar a ter um piloto com este “nome” no mundo do WRC. Muitas duvidas ainda na marca Francesa.

Ford: 
Será mais uma das grandes animadoras desta época de contratações. A Ford que já perdeu Neuville para a Hyundai, terá forçosamente que contratar alguém com experiência, e de provas dadas. Mikko Hirvonen será ao que tudo indica essa “peça” no xadrez de Malcom Wilson. O finlandês poderá assinar um contrato de 3 anos com a M-Sport, voltando assim a “casa”. Mas ainda temos lugares para preencher. Novikov e Ostberg, vem de uma época muito complicada, e poderão ter posto em causa as suas permanências na equipa para a próxima temporada. Temos ainda pilotos que poderão voltar á casa, Ott Tanak está sem equipa, e M. Wilson é um confesso admirador estilo de condução dos Estónio. A única certeza para já é a saída de Neuville, quanto a entradas tudo poderá acontecer.

Hyundai: 
A marca coreana encara esta reentrada no WRC, com grandes ambições, fazendo um avultado investimento no seu regresso aos múndias de rally´s. A contratação de Neuville para a próxima temporada, veio confirmar isso mesmo, pois o piloto belga era um dos mais cobiçados nesse final de época. A Hyundai acabou por levar a melhor, muito também pelo projecto a longo prazo que foi oferecido ao piloto belga. A incógnita está mesmo no segundo carro da marca coreana. Sordo é hipótese, bem como o J. Hanninen que já é piloto de testes da marca. Ambos poderão alternar participação no mundial, fazendo Sordo as provas de asfalto, Hanninen em terra e gravilha, e surge também C. Atkinson na prova Austral. Tudo certo no primeiro piloto, nada adquirido na segunda vaga.

Está assim passada em revista toda a temporada do mundial. Os vencedores, os derrotados, as contratações, as saídas, as entradas... Tudo o que se passa no mundo do WRC, passa no “Chicane desportos motorizados”.

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Até á próxima temporada de WRC, e não se esqueçam…if in doubt flat out

Carlos Mota

WRC – Epílogo da época 2013. Parte2 - Análise dos pilotos

Feita a primeira análise de 2013, interessa falar individualmente dos pilotos que se destacaram este ano.

Ogier:
 Época de sonho do francês, no seu regresso ao mundial de WRC, pela mão da Volkswagen. Venceu e convenceu, dominando toda a temporada a seu belo prazer, perdendo apenas para Loeb dois rally´s, mas sem consequências na classificação do mundial, pois o seu compatriota não era do “seu campeonato”. Os que não ganhou apenas se deveu a erros seus, pois quando o francês não tem azares neste momento é imbatível. Será o início de uma nova dinastia? A verdade é que poucos o poderão bater.


Neuville: 
Sem dúvida das grandes revelações da temporada. Partindo para este seu primeiro ano na M- Sport, o jovem piloto belga era apontado como o 3º piloto da Ford, fazendo parte da equipa júnior da mesma. A verdade é que não tardou a demonstrar ser o melhor piloto da marca “oval”. Neuville, provou ainda ser dos poucos, se não o único a ter rapidez e qualidade para poder vencer num futuro próximo Sebastien Ogier. Detentor de uma condução espectacular, Neuville era conhecido pela sua rapidez em rally´s de asfalto, mas esta temporada mostrou grande versatilidade, e passou a ser competitivo em praticamente todos os tipos de pisos. O vice-campeonato valeu-lhe um contrato de 3 anos com a Hyundai, que na próxima temporada regressa ao WRC, com um projecto que promete ser ambicioso. Faltou apenas uma vitória para a temporada ser perfeita. Piloto com grande futuro.


Latvala: 
O piloto finlandês, conhecido pela condução espectacular que implementa em todas as provas, que algumas vezes já lhe deram alguns dissabores, foi igual a si próprio. Depois de vários anos na Ford, Jari, arriscou na ida para a Volkswagen, fazendo dupla com o Ogier. Com um início de época complicado, marcado pela clara falta de à-vontade ao volante do Polo R WRC, Latvala ao longo da temporada foi melhorando as suas prestações, culminado com uma vitória no Rally da Grécia. Numa época de clara ambientação à sua nova “montada”, o Finlandês consegue o 3º lugar no mundial, uma vitória, algumas boas exibições e inevitavelmente alguma chapa amolgada, pois a sua irregularidade não o deixou fazer melhor. Quem sabe na próxima temporada o grande adversário de Ogier “durma na porta ao lado”.


Hirvonen: 
Esta seria a época que Yves Matton, patrão da Citroen, tinha idealizado como a época em que M. Hirvonen seria campeão, sucedendo de forma logica a Loeb. Mas essa “lógica” não passou de mera ilusão. O piloto finlandês, que muitas vezes se bateu de igual para igual com Loeb, inclusive perdeu um campeonato por apenas um ponto, teve uma época para esquecer. Ou para recordar e não mais repetir. Sem confiança, sem ritmo, sem mínimo de competitividade, o piloto da Citroen foi “banal” sendo facilmente batido por toda a concorrência, e não teve uma pior classificação final no mundial, por falta de regularidade dos pilotos de meio da tabela. Valeu que Mikko Hirvonen bateu tanto como o que andou…pouco. Terá sido o adeus á Citroen? Malcolm Wilson já pisca o olho a Mikko…


Sordo: 
Estranha época de D. Sordo, que foi do inferno ao céu e vice-versa várias vezes esta temporada. É certo e sabido que o piloto espanhol é um verdadeiro especialista no asfalto, isso valeu-lhe a sua primeira vitória da sua carreira no WRC. Mas quando se entra em outros “terrenos”, Sordo é pouco mais que razoável. Um piloto vencedor tem de ser completo. As marcas não podem viver só dos rally´s de asfalto ou de rally´s em gravilha. Muito competitivo em asfalto, mas muito modesto em gravilha. Valeu a vitória na Alemanha, numa época que provou não ter andamento para voos mais altos.


Ostberg: 
Das grandes desilusões da temporada. Um piloto que já o vimos fazer coisas incríveis, passou completamente ao lado de toda a temporada. Nem no Rally da Suécia, onde teria mais facilidade, por razões óbvias, o norueguês conseguiu “dar um ar da sua graça”. Sem andamento para os homens mais rápidos, fez uma época modesta, sempre a meio da tabela. Terá pesado o facto de competir numa equipa oficial, com responsabilidades, ao qual Ostberg não soube responder. Terá dado um tiro no pé?


Novikov: 
Mais um piloto da Ford que teve uma temporada muito difícil. O piloto Russo que sempre havia corrido como privado, encarava esta temporada como a da sua confirmação enquanto piloto rápido e competitivo como sempre o tinha mostrado, muitas vezes exageradamente, pois raramente mantinha o carro na estrada até final do rally. Esta temporada viu-se um Novikov diferente, mais calmo, e mais racional. Mas a verdade é que as coisas não lhe saíram bem. Continuou a bater, também com alguns azares a estragaram-lhe uma temporada que poderia ter sido de confirmação, mas que assim passou a ser uma época de desilusão. A sua juventude dar-lhe-á mais oportunidades de mostrar o seu talento, (que é muito), faltando saber extrair esse potencial, numa relação “rapidez – consistência”.


Loeb: 
Foi a época de despedida do multicampeão do mundo Sebastien Loeb. O piloto francês fez uma “época” curta nos rally´s, fazendo apenas quatro aparições, onde ainda foi a tempo de vencer duas delas, demonstrando que poderia perfeitamente ser de novo campão mundial. Teríamos uma das melhores lutas dos últimos anos, mas o francês, preferiu mudar de “ares”. Finaliza assim um “era” no mundo dos rally´s.


Prokop: 
Este é um raro caso no WRC, pois é o único piloto privado a correr no mundial. Martin Prokop é o único do “seu campeonato”, não tendo capacidade para ombrear com os oficiais, falta-lhe concorrência do seu nível para se perceber o que de facto vale o Checo. Não sendo um piloto rápido, vale pela sua consistência. Os pontos que vai amealhando são prémios merecidos pela sua coragem. Pena é que as contingências económicas mundiais, não permitam que mais pilotos sigam o seu exemplo.


Mikkelsen: 
O piloto “junior” da Volkswagen não teve uma temporada fácil. Talvez Mikkelsen tenha posto a “nu” as fragilidades que o Polo R WRC também tem, com toques e mais toques danificando muito a aerodinâmica do seu carro em várias provas, afectando muito os seus desempenhos em muitas das provas do mundial. Ainda assim o Norueguês demonstrou ter qualidade e rapidez, tudo isto para ser trabalhado, pois a sua tenra idade dá-lhe muita margem de evolução. 



Kubica:
Época de sonho para o piloto polaco, que venceu o mundial de WRC2, de forma categórica, demonstrando toda a sua versatilidade ao volante de diferente tipos de automóveis. Apesar das suas evidentes dificuldades no braço afectado à dois anos num acidente de rally, Kubica continua a ser um piloto competitivo, e a prova disso foi este título mundial. Para isso o polaco teve de amolgar muita chapa, e aprender com os erros. A última prova do mundial, trouxe-lhe a sua primeira experiencia ao volante de um WRC, que não correu nada bem, terminado duas vezes de “cabeça para baixo”, em dois dias. Ainda assim é apontado como possível piloto da Citroen na próxima temporada. Estará preparado?




Feita a analise dos pilotos que mais se destacaram este ano falta apenas ver a época pelo ponto de vista das equipas. Sigam no nosso blog todas as novidades.

Carlos Mota.

WRC – Epílogo da época 2013. Parte 1 - Análise da época.

A temporada do WRC terminou. Tempo de rever tudo o que foi feito por pilotos e marcas. As desilusões, as surpresas, as confirmações, quem poderá ficar sem “assento” na próxima temporada, as trocas e quem poderá regressar ao grande mundo do WRC, onde só há espaço para os melhores. Tudo isso a ser dito a partir de agora.

A Volkswagen e Ogier foram os grandes vencedores da temporada, arrecadando todos os “louros”, fazendo a dobradinha com a conquista do mundial de pilotos e construtores, neste que foi o ano de estreia da marca alemã no campeonato do mundo de rally´s. 

Ogier, que depois de perder espaço dentro da Citroen, sempre em conflito com o outro francês, S. Loeb, abandonou a marca francesa, encarando uma época “sabática” na Skoda, mas correndo pela Volkswagen Motorsport, pois o Fabia S2000 mais não era do que um Polo R WRC disfarçado. Sem poder pontuar na sua categoria, onde os limites de teste são regra, Ogier, privou-se durante uma temporada de lutar com os melhores. Por alguma razão o fez, pois sabia do potencial do Polo versão WRC, e mais do que isso, da grande aposta da marca nos rally´s. 

Deu-se bem. O francês apostou sem dúvida no “cavalo” certo, só ninguém imaginava que seria uma certeza logo na primeira temporada. Mas foi. Ogier foi campeão do mundo com um à-vontade tão grande que fez lembrar um outro “Sebastien” de outros tempos. 

Para além de Ogier, a Volkswagen fez uma grande aposta também em J. M. Latvala, indo “roubar” o menino da casa da M-Sport. O finlandês depois de tantos anos na Ford, onde foi lançado por Malcolm Wilson, abandonou a marca Americana, encarando este novo projecto como um grande desafio à sua versatilidade, pois este Polo era em tudo diferente do que tinha conduzido até então. Com início tremido, em processo de aprendizagem no Polo R WRC, Jari, lá deu os seus famosos “crashes”, mas ainda foi a tempo de vencer uma prova esta temporada. Grécia apadrinhou a sua estreia a vencer na sua nova “montada”.

E se J. M. Latvala não chegou a vice-campeão do mundial, muito pode culpar a nova atracção deste campeonato. T. Neuville de seu nome. O jovem belga, da Ford, foi a grande revelação da temporada. Ele que inicialmente seria o 3º piloto da M- Sport, com estatuto de piloto da “equipa júnior”, Neuville mostrou que poderá ser dos poucos pilotos actuais a poder bater no “braço” S. Ogier, fazendo uma época de grande nível, faltando apenas a tão desejada vitória num rally, que por um motivo ou outro, fugiram ao piloto belga. Compensou com a sua regularidade, que lhe valeu o 2º lugar no final da temporada. 

Se dentro da M- Sport Neuville foi a surpresa, Novikov e Ostberg foram desilusões. Ostentando estatuto de pilotos oficiais, tanto um como o outro não fizeram valer todas as esperanças que neles tinham sido depositadas pelo “boss” Malcolm Wilson. Época para esquecer, de dois pilotos que vinham de equipas privadas, com grandes referências pelos resultados obtidos anteriormente, inclusive uma vitória no Rally de Portugal de 2012 por parte de M. Ostberg. Terá pesado a “camisola”?


Se na M- Sport os resultados ficaram aquém do esperado, na Citroen não foi diferente. Com Loeb em apenas 4 provas esta temporada, ficaram encarregues de lutar pelas vitórias, Sordo e Hirvonen. Mas a verdade é que os dois, durante toda a temporada, apenas deram uma vitória à Citroen, e Loeb em 4 ralis venceu por duas vezes. Resultados modestos para uma equipa que há muitos anos estava habituada a vencer. Mas sem “Seb” nas fileiras, as coisas ficam de facto muito mais difíceis. 

Salvou-se a vitória de Sordo na Alemanha, naquela que marcou a sua primeira vitória numa prova do WRC. Com um 4º e um 5º lugar final na geral por pilotos, Yves Matton terá muito para pensar relativamente à próxima temporada, isto se quiser ter uma palavra a dizer na luta por vitórias em provas, ou mesmo no mundial de pilotos e construtores. É que Loeb andará pelo WTCC…


Fica assim feita a analise da época de WRC. A segunda parte fará uma análise aos pilotos que mais se destacaram pela positiva e pela negativa.

Carlos Mota