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segunda-feira, 2 de setembro de 2013

50 anos da McLaren. Uma vida medida em conquistas.

A Mclaren é uma das mais carismáticas e mais bem-sucedidas equipas da F1. Faz hoje 50 anos que a equipa foi criada e como tal merece uma nota de referência.

O sonho de criança de Bruce Mclaren de andar cada vez mais depressa deu origem a um legado que ainda hoje perdura e que provavelmente continuará por muitos anos.

Tendo começado desde tenra idade a trabalhar com automóveis, Bruce cedo se interessou pela velocidade e dai para a competição foi um pequeno salto. Mudou se da Nova Zelândia para a Grã Bretanha e ai começou a trabalhar para a Cooper. Participou na Australian Tasman Series com a Cooper, mas como a equipa não lhe dava o material que ele achava necessário para vencer, fundou a sua própria equipa em 63, participando na Can-Am Formula 1 na Indianapolis 500.

A primeira vitória na F1 ocorreu em 68 na Bélgica com o M7, dois anos depois de se ter estreado no Mónaco.

A equipa foi subindo a pulso, com altos e baixos até que em 1974 surge o primeiro titulo na F1 com Emerson Fittipaldi a sagrar-se campeão do mundo e a McLaren a conquistar o seu primeiro titulo de construtores com o M23. Bruce McLaren já não viu este momento de gloria, pois morreu em 1970 quando testava um carro para uma prova da Can-Am. Mas a sua dedicação, o seu caracter e a sua sede de vencer contagiou todos em seu redor e a equipa continuou como seria seu desejo.

Em 76 deu se a luta entre James Hunt e Niki Lauda , numa das mais ferozes lutas pela vitoria em que o britânico venceu beneficiando também de um acidente que Lauda sofre em Nurburgring e que lhe ia custando a vida. Foi um dos capítulos mais fascinantes da F1 e a McLaren estava no epicentro.

Seguiu-se um tempo de menor fulgor da equipa, que foi decrescendo de rendimento até 1980 onde fez apenas 9º lugar no campeonato de construtores.

Foi nessa altura que a McLaren, se viu pressionada pelos patrocinadores para começar a melhorar o rendimento. Isso levou a entrada de Ron Dennis e da sua equipa de Formula 2 “Project Four Formula 2” que tinha planos para usar fibra de carbono nos carros de F1 mas que não tinha verbas suficientes para avançar a solo. Com a fusão com a McLaren já seria possível tentar implementar essa nova e revolucionaria ideia. Surgiu assim a parceria que daria origem em 81 ao MP4/1 o primeiro carro construído na totalidade com fibra de carbono.

Em 84 os primeiros resultados dessa revolução com o titulo de Niki Lauda no campeonato com o Mp4/2 e o titulo no campeonato de construtores. Em 85 nova vitoria em construtores e em pilotos desta vez para Alain Prost.

Depois de um período em que a McLaren não conseguia fazer frente aos Williams, surge então em 88 a famosa parceira com a Honda e a contratação de Ayrton Senna, a conselho de Prost. A McLaren dominou os 4 anos seguintes com Senna a vencer em 88,90,91 e Prost a vencer em 89. Foi a época de ouro da McLaren. O melhor carro, juntamente com os melhores pilotos deram a hegemonia incontestada da equipa no grande circo.

Entretanto a Williams ressurgiu e voltou a dominar com a concorrência da Benetton e do jovem Schumacher. Foi um período difícil para a equipa em que não conseguiu encontrar um fornecedor de motores fiável e competitivo para permitir a luta pela vitória.

Finalmente em 95 surge a parceira com a Mercedes e a entrada de Newey que com as mudanças nos regulamentos em 98 conseguiu ficar em vantagem em relação às outras equipas vencendo assim o campeonato de construtores em 98 e o de pilotos em 98 e 99 com Hakkinen. Seguiu-se então o domínio da Ferrari e de Schumacher que de 99 a 2004 não deu hipóteses a ninguém.

A Renault conseguiu intrometer-se no domínio da Scuderia em 2005 e 2006, muito graças ao talento de Alonso mas a Ferrari voltou as vitórias em 2007 e 2008, embora em 2008 Hamilton tenha vencido o campeonato de pilotos. 2009 traria a inesperada vitoria da Brawn GP e a partir de 2010 surge a Red Bull em força, vencendo tudo desde então.

Desde 1998 que a McLaren não vence um campeonato de construtores e desde 2008 que não vence o campeonato de pilotos. Ainda assim a marca não perdeu valor e continua a ser das maiores equipas do grande circo, com um dos maiores orçamentos, conseguindo ficar quase sempre no top 3 de construtores.

Mas resumir a McLaren a números é demasiado redutor. Pela equipa passaram os melhores pilotos do mundo como Lauda, Fittipaldi, Piquet, Rosberg, Mansell, Prost, Senna. A equipa esteve sempre envolvida nos grandes momentos da F1 e mesmo apesar das dificuldades nunca perdeu fulgor. Além disso a equipa sempre respondeu aos momentos menos bons com trabalho e dedicação que levaram a grandes conquistas. É normal ver a McLaren ganhar durante 2 ou 3 anos seguidos depois de um período menos bom.

O legado de Bruce McLaren é enorme. A forma como inspirou os que o rodeavam ainda hoje é visível. Mas há outro nome importante na história da equipa. Ron Dennis. Foi ele com o seu projecto inovador que em 1980 fez ressurgir a McLaren das cinzas, proporcionando a melhor época de sempre da equipa. Ainda hoje Ron Dennis continua a fazer crescer a marca agora no mercado de supercarros.



É provável que a equipa se mantenha por mais 50 anos, mas mesmo que isso não aconteça o seu lugar na história estará para sempre reservado como uma das maiores equipas e aquela que mais influenciou a Formula 1. Tal como o Bruce McLaren dizia, a vida não é medida em anos mas sim em conquistas. 





Fábio Mendes

terça-feira, 13 de agosto de 2013

Dupla genial à vista!

Notícias recentes, dão como sucessor a Mark Webber, Kimi Raikkonen. Não é novidade para ninguém, que no Chicane, adoramos o Iceman. Parece-nos o piloto mais difícil de ultrapassar e capaz de fazer milagres com o carro que lhe deram este ano.

Vamos entrar agora numa de futurologia: Kimi Raikkonen e Sebastian Vettel na mesma equipa, como um carro fiável e uma estrutura impecável, seria, apenas e só, espectacular e um dos Dream Teams possíveis deste actual paddock. Mas esta dupla, com esta organização, faz-nos lembrar de outra grande dupla da F1: Alain Prost e Ayrton Senna! Apenas os dois, na minha modesta opinião e que tenha visto a correr, melhores pilotos de sempre da F1.

No longínquo ano de 1988, Ron Dennis, director da Mclaren Honda, tinha à sua disposição o Professor e o Rei da Chuva, que mantiveram um duelo acesso durante toda a época, que culminou na vitória de Senna no Mundial de Pilotos por apenas 3 pontos à frente de Prost e com a Mclaren a vencer o Campeonato de construtores com 199 pontos e a Ferrari em 2º com apenas 65 pontos. Aliás os duelos de Senna e Prost são míticos no mundo da F1, mas a equipa não se importava muito (excepto nos casos em que se davam acidentes entre os dois pilotos, sim tal como Vettel e Webber!), porque sabiam que detinham o poder da F1. Em dois anos que estiveram juntos, a Mclaren venceu os dois campeonatos com os pilotos a dividirem as vitórias. Realmente tratava-se da melhor dupla de pilotos daquela geração, juntos na mesma equipa.

Estará Christian Horner a pensar em fazer o mesmo que Ron Dennis? Juntar Vettel e Raikkonen? Será possivelmente o sonho da maioria dos directores de equipa do actual paddock?
Vettel é consistente, conhece a equipa e sua estrutura, é bom a evoluir o carro e dá garantias. Kimi é o melhor piloto a defender, é rápido e a sua fama de bad boy, garante fãs às equipas por onde passa.  

Motores 1988 vs motores 2014
Em 1988, ano fantástico para os aficionados da F1, o Grande Circo era diferente daquele que se avizinha para o próximo ano, mas encontramos algumas coincidências: os motores dos carros em 1988, eram na maioria V8, exceptuando a Mclaren, que corria com um V6 da Honda (que por feliz coincidência volta para o ano a fornecer o motor para a Mclaren). Em 2014, os carros vão estar equipados com um motor V6, 1.6L e limitados a 5 motores por época. As diferenças estão nos números da GP´s da época, que contava com apenas 16, um deles era em Portugal, 9 deles em território europeu. Para o ano, devem ser na mesma 20 GP´s, à semelhança deste ano, ou ainda menos, sabendo á partida que o GP da Índia vai sair do calendário. Portugal voltará a receber a Fórmula 1? Não nos parece, mas era muito bem-vindo.

Prost-Senna vs Vettel-Raikkonen

As diferenças não se ficam pelos carros e motores, os pilotos, sendo todos muito bons, não são sequer parecidos. Não duvidamos das qualidades de Vettel e Kimi, mas Prost e Senna eram de outro mundo. Mas vamos analisar as duas duplas: Prost em 1988 tinha ganho 2 campeonatos do Mundo, os dois com a Mclaren; Senna não tinha ganho qualquer título, sendo o seu melhor resultado o 3º lugar obtido com a Lotus (mais uma coincidência), em 87. A Mclaren tinha perdido os campeonatos dos anos de 86 e 87 para a Williams e, embora Prost tivesse vencido o Mundial de 86, precisava urgentemente de uma vitória para a equipa, por isso em 88, contrata Senna, a jovem estrela em ascendência do Circo, o Rei da Chuva e muda de motor a pedido deste. Senna era o amuleto da sorte da Honda, que seguia o brasileiro para onde ele fosse. 
Actualmente, a Red Bull não vem de nenhuma Idade das Trevas, bem pelo contrário, nos últimos 3 anos ganharam os campeonatos de Construtores e os de Pilotos. Vettel é o tricampeão em título mas o mal-amado pelos fãs, aliás, basta ver e ouvir a reação dos espectadores do GP de Inglaterra, em Silvertone, quando se aperceberam que Sebastian Vettel estava a parar para desistir da corrida. Por seu lado, Kimi é sempre bem recebido e vem de 1 ano na Lotus em que fez milagres, continuando em 2013 o trabalho de anjo da guarda da equipa. No seu palmarés tem 1 título conquistado pela Ferrari (também se fala da Scuderia poder contratar Kimi se Alonso sair) e depois um interregno de 2 anos da F1, entre 2009 e 2012, voltando para dar nas vistas, com o 3º lugar da classificação nesse ano.

No geral, estamos a falar de grandes pilotos, extraordinários no seu trabalho, mas serve apenas para imaginar uma temporada que se avizinha pródiga em mudanças. Mesmo que a Red Bull contrate Kimi para fazer companhia a Vettel e fazerem o tal Dream Team, para nós, aficionados e apaixonados pelo desporto, a F1 não perderá emoção. Mas como pensamos que será difícil esta dupla chegar a ver o sol, mantemos as expectativas dos confrontos entre os pilotos em equipas diferentes. Mais uma constatação do óbvio: a Mclaren aguentou 2 anos a dupla Prost-Senna e viu-se no meio de uma guerra de egos e de genialidade.


Será que a Red Bull quer arriscar tanto?






Fotos:
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Pedro Mendes