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quarta-feira, 10 de setembro de 2014

"Fim de uma Era"

foto: Getty Images
Hoje foi oficializado aquilo que já há muito tempo se desconfiava: Luca di Montezemolo vai abandonar o cargo de presidente da Ferrari.
Não achamos estranho esse facto, até porque 23 anos como presidente de uma empresa, que é aquilo que a Ferrari é, será motivo de festa. O que nos levanta grandes dúvidas, pelo menos a mim, é o facto de no passado fim-de-semana, Montezemolo falar aos jornalistas e negar por completo os rumores do seu afastamento. Para além de ter confirmado a mesma dupla de pilotos, escolhida por ele, para 2015.

sábado, 9 de agosto de 2014

Amigos, amigos, título a parte!

A história da Mercedes tinha tudo para dar certo; Melhor monolugar da grid, muito superior a qualquer outro esta época e com dois pilotos com grande qualidade e com provas mais que dadas na F1. Para além de ser dois pilotos extremamente rápidos, Hamilton e Rosberg já se conhecem há muito tempo, desde os tempos em que ambos davam os primeiros passos nas suas respectivas carreiras, nos karts, onde eram inclusive companheiros de equipa. São amigos de longa data e de certeza que a cumplicidade entre os dois pilotos também não deve ser pouca.

Porém, quando ambos os pilotos da mesma equipa lutam pelo campeonato mundial, nem tudo é um mar de rosas e se olharmos para trás vemos vários exemplos disso mesmo. Na Mercedes, a dupla Hamilton e Rosberg não foge à regra e já deram sinais que a sua relação já não é o que era. Ambos os pilotos já se atacaram publicamente, embora o alemão fosse sempre mais sensato nas suas palavras que o seu companheiro de equipa, Lewis Hamilton. 

segunda-feira, 3 de março de 2014

Regra dos 107% - Uma regra que poderá complicar a vida dos pilotos.

Pelo que se tem visto nos testes da F1, a diferença de andamentos de umas equipas para outras é grande e em alguns casos alarmante. Há várias equipas como a Williams, a Mercedes a McLaren e a Force India que até já lideraram a tabela de tempos nos testes. Mas dos primeiros para o fundo da tabela, a diferença de tempos chega aos 8 e 9 segundos. É normal nesta fase, pois a revolução que se deu a nível técnico na F1, não é fácil de assimilar mas as equipas encontrarão forma de resolver os problemas mais tarde ou mais cedo.

No entanto, para o 1º GP, que é daqui a 12 dias, há um problema inesperado que surge. A regra dos 107%. Uma regra que foi implementada para retirar da pista os carros mais lentos, poderá retirar da pista mais carros do que se esperaria.

A regra diz que todo o carro que fizer mais que 107% do melhor tempo feito na 1ª sessão de qualificação ( Q1), é excluído automaticamente. Ou seja, explicando de forma simples, se o melhor tempo da Q1 for de 100 segundos (1:40:00), todos os carros que fizerem mais que 107 segundos (1:47:00) são automaticamente excluídos, não podendo participar na corrida.

Em termos práticos, e usando o melhor tempo da semana passada, que foi de Rosberg, como tempo para a Pole Position, isso significaria que apenas 14 carros poderiam correr, ficando 8 carros de fora ao abrigo da regra dos 107%. Seria certamente um escândalo se isso acontecesse.

É verdade que no passado já foram aplicadas excepções a essa regra e caso acontecesse em Melbourne, por certo que se fecharia os olhos à situação. Mas não deixa de ser caricato.

Os novos regulamentos são muito exigentes (há quem diga que demasiado exigentes) e há muitas equipas que precisariam de mais tempo para estar preparadas. A Red Bull já avisou que vai à Austrália em modo sobrevivência. A Caterham está muito em baixo tal como a Lotus e a Toro Rosso, embora em crescendo ainda é uma grande incógnita.


Veremos como corre o 1º GP, mas há muitas incertezas no ar. Contudo, ao contrário dos arautos da desgraça, não creio que este problema seja o “fim do mundo”. Há equipas que se prepararam melhor e outras pior. A competição é mesmo isto. Quem está melhor, está na frente e quem não se preparou, tem de correr atrás do prejuízo. O mundo da F1 é frio e muito competitivo. Acredito que no meio da época as coisas estarão mais equilibradas. Acredito também num campeonato muito competitivo. As mudanças são difíceis. Mas não se deve ter medo delas.


Link com uma calculadora para testar vários cenários:

https://www.allars.co.uk/calc/f1/qualifying.php


Fábio Mendes

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Actores e corridas - Opinião

A época terminou para a maior parte dos pilotos, uns têm mais motivos para sorrir do que outros, aliás, alguns ainda estão a chorar ou a alucinar, como Pastor Maldonado, mas isso são outras contas.O que me leva hoje a escrever é Patrick Dempsey... não sabem quem é? Perguntem às vossas esposas, mulheres ou mães pelo actor que se casou com a Dra. Grey, na série "Anatomia de Grey". Se elas começarem a divagar pelos atributos físicos do senhor, continuem a ler o meu texto.

O tal senhor Dempsey anda já há alguns anos a correr em algumas provas da American Le Mans Series, acompanhado pelo Discovery Channel (quem o patrocinará?), para tentar ser profissional e chegar à mítica prova de endurance do Mundo, Le Mans.

Não me peçam por detalhes porque ainda só vi um episódio do programa no Discovery, possivelmente será o único que verei, mas o que realmente me chamou à atenção foram umas imagens de Paul Newman e Steve McQueen na célebre pista de Sebring. Também eles actores que foram atrás do sonho de competirem em provas de velocidade.
Mas afinal o que nos atrai em pilotar um carro de corrida, volta após volta? A adrenalina? A vontade de ganhar?

Não vou responder! Não sou o vosso psicólogo, mas posso dizer-vos uma coisa: a minha esposa também tem a mesma vontade do que eu em pilotar um carro em competição, pelo menos uma voltinha! Sou um sortudo!

Mais a sério, a adrenalina e competição pela vitória são se calhar o que mais motiva, mas a sensação do perigo e o teste a nós próprios, são na realidade o que leva os humanos a competirem, por vezes, em velocidades acima dos 300 km/h. Sou apenas eu que penso assim? Quantos de nós arriscaria quase tudo o que temos, para ir em competição pelo Mundo fora, digamos, na F1?

Eu era capaz de perder a cabeça, mas tenho a certeza que a pessoa com quem casei, viria também.

O seguinte vídeo não é de carros, mas representa bem o esforço sobre-humano das corridas:


Fotos:
sportscardigest.com
sportscardigest.com
gq.globo.com

Pedro Mendes


terça-feira, 14 de maio de 2013

Um problema de degradação: a saga dos pneus 2013



Estalou o verniz nas boxes da F1. Os pneus continuam no centro das atenções e todos criticam os Pirelli.

O GP da Espanha teve 82 paragens para pneus, o que deu quase 1 pit stop por minuto. E mais seriam se não houvesse desistências. Hamilton andou a passo de caracol  e viu um Williams passar por ele  para seu espanto. Red Bull teve de se contentar com o 4º lugar não indo à luta pela vitória. A corrida foi perdendo ritmo e interesse com as sucessivas paragens.

Está na altura de perguntar se é esta a F1 que queremos. O patrão da Red Bull veio dizer que isto não é F1 e mais um jogo de gestão de pneus. Se calhar não deixa de ter razão. Vários comentadores já se vieram insurgir contra os pneumáticos e pedem uma revisão. Por seu lado  a Lotus, que consegue poupar pneus como ninguém, diz que não se devem reescrever as regras do jogo a meio, com a possibilidade de prejudicar uns para beneficiar outros. É que o Lotus tem falta de velocidade e só a capacidade de preservar os pneus durante a prova tem permitido a Kimi subir tantas vezes ao pódio.

A nossa opinião? Esta situação não é boa para a modalidade. Vemos pilotos que nem atacam nem defendem. São quase robots, em alguns casos, que sabem que tem de fazer um tempo determinado por volta, de forma a fazer “x” voltas, para assim a estratégia dar certo. E as perseguições? E a vontade de andar sempre mais? E o defender da posição? Tudo isso se dilui no meio da poupança da borracha.

É justo culpar a Pirelli? Não, de todo! Eles fizeram o que lhes foi pedido. Pneus mais macios, que durem menos, para possibilitar mais variações. E a fórmula até que correu bem até agora. As corridas foram bem interessantes. Mas a marca tem sofrido criticas constantes e torna-se complicado aguentar tanta critica durante tanto tempo. Tanto que vieram a publico dizer que se as equipas e os fãs quiserem a procissão monótona que se verificava antes eles não tem problemas, pois fazer pneus mais resistentes é bem mais fácil que os fazer menos duráveis.

É necessário chegar a um meio termo. Pneus que possibilitem no máximo 3 paragens mas que estejam mais virados para as 2 paragens, para assim poder haver variabilidade nas estratégias e os pilotos possam ainda assim puxar pelas maquinas sem medo de ficar sem pneus.

A Pirelli disse hoje que vai introduzir novos compostos  mais duros para GP do Canadá, mantendo os pneus actuais apenas para Mónaco, uma pista que é pouco exigente para os pneus. Segundo Paul Hembery, director desportivo da Pirelli, a marca subestimou a performance dos carros, dizendo que os testes são feitos num F1 Renault de 2010 que roda 4 a 5 seg. mais lento por volta que os carros actuais, o que não da dados suficientemente claros.  

É preciso ter muito cuidado com o que se vai fazer pois já há pessoas que dizem que a medida vai favorecer os Red Bull. A própria Pirreli tem essa noção e disse-o publicamente. Mas a verdade é que 4 pit stops por carro são demais. Esquecer a qualificação para poupar pneus é inaceitável. Tirar o pé do acelerador para poupar pneu vai contra a essência do desporto.

A situação é mais complicada do que possa parecer. Veremos como se desenrola.

P.S.  : No resumo dissemos que a ordem para Perez acalmar e ter cuidado com os pneus parecia uma continuação do episodio do Bahrain com o nº 1 da equipa a ser beneficiado em detrimento do recém chegado . Mas depois de ver o pneu de Perez já  “com os arames á mostra” acredito que tenha sido uma medida de precaução e não uma ordem de equipa.



Mapa dos Pit Stop´s de Espanha



Últimas :

Fala-se que Juho Hanninen será o piloto da Hyundai para o WRC de 2014. Supostamente, o piloto finlandês tem participado no desenvolvimento do i20 que fará o seu inicio no próximo ano.






A McLaren poderá deixar o prateado de lado e voltar ao laranja que caracterizou a marca no seu inicio. A parceria com a Vodafone vai acabar no final da época,e um novo patrocinador poderá levar a mudanças na estética do carro, desde que o patrocinador aceite a cor. Nós gostaríamos de ver outra vez os McLaren de vermelho e branco. Mas isso somos nós.







Fábio Mendes

terça-feira, 16 de abril de 2013

"Checo” Mate? Terá sido Perez a melhor opção?



Depois do 3º GP, começam a surgir as primeiras dúvidas sobre Sérgio Perez e a sua valia.

Perez foi contratado pela McLaren no ano passado, pouco tempo depois de ter feito um brilharete em Monza. Com uma corrida irrepreensível, o Mexicano conseguia acabar em 2º lugar, com o seu Sauber. Meses antes, na Malásia, tinha feito igual numa corrida marcada por muita chuva. Passou a ser visto com outros olhos. Sabia gerir muito bem os pneus, sendo muito competitivo e rápido em corrida. Faltava-lhe mais velocidade nas qualificações. 

Com o piloto em alta e com Hamilton de saída, a equipa de Woking tinha de fazer uma escolha. Falou-se em Di Resta como candidato, estando Hulkenberg também em equação. Mas a escolha recaiu no homem de quem todos falavam. Perez seria o sucessor de Hamilton.

Depois de ter assinado o novo contrato, o rendimento caiu um pouco, mas todos esperavam que quando se sentasse ao volante do McLaren as coisas mudariam de figura.

Acontece que, ao contrário do que todos esperavam, a McLaren apresentou um carro fraco. Muito pouco estável, com problemas ao nível da aerodinâmica, o novo MP4/28 não é o melhor carro para Perez brilhar. Temos de ter em conta que a pressão mediática é muito superior e que, aliado a essa nova pressão, o mexicano teve (e tem) de se adaptar a novos métodos de trabalho, novas pessoas a sua volta.

Além disso tudo, o seu rendimento tem como termo de comparação o do seu companheiro de equipa, Button, que é “apenas” campeão do mundo e o piloto mais experiente do paddock, com muitos Km´s já percorridos, tendo já enfrentado várias vezes suspeitas ( tal como o seu colega de equipa agora enfrenta) e tendo já conduzido carros francamente fracos. Comparar o rendimento de um jovem que acaba de chegar com um piloto titulado, que está desde 2000 a competir, tendo já passado por quase tudo que há para passar na F1 é injusto.

Neste caso, e como uma análise objectiva necessita da frieza dos números, vamos recorrer a eles, comparando Perez com Di Resta e Hulkenberg, que estiveram em equação para a McLaren e que estão no mesmo patamar neste momento.

 
Perez:
23 anos
Inicio em 2011 ( 3 épocas)
40GP
82Pontos
3 pódios ( 2º lugar Malásia e Monza, 3º em Montreal tudo em 2012)
Melhor qualificação : 4º lugar

Vamos ver os números de Di Resta, um dos pilotos que estava na calhar para o lugar agora ocupado pelo mexicano.

Di Resta :
27 anos
Inicio em 2011( 4 épocas)
42 GP
81 pontos
Melhor qualificação: 6º
Melhor resultado: 4º ( Singapura 2012)

Como vemos, a escolha entre os dois seria óbvia. Perez embora tenha começado no mesmo ano, tem menos uma época de F1 e já conseguiu 3 pódios. Ao nível de consistência de resultados a balança pende ligeiramente para o mexicano também. 

Vamos agora fazer a comparação com o piloto que Brundle diz, deveria ter sido o escolhido.

Hulkenberg:
25 anos
Inicio em 2010 (4 épocas) ficou de fora em 2011 por causa de Maldonado. Foi 3º piloto da Force India nesse ano por ter perdido o lugar para Di Resta.
41 GP
90 pontos
1 pole position
Melhor resultado: 4º lugar

Ao nível da consistência de resultados, não há diferenças significativas entre o alemão e o mexicano.
A escolha neste caso torna-se mais complicada. Mas tendo em conta que o Perez já tinha 3 pódios no seu registo, tornava-se lógico escolhe-lo em detrimento de Hulkenberg, embora o alemão mostre qualidade e consistência.


A nossa opinião é que Perez ainda vai dar muito que falar. É bom piloto em corrida e no ano passado proporcionou dos melhores momentos que se viram, com ultrapassagens de grande qualidade.
 O que acontece é que o director da McLaren ao dizer que ele precisa de ser mais duro em pista, serve apenas para o espicaçar e para lhe dar autorização de defender mais ferozmente o seu espaço, não tendo medo das críticas que lhe foram feitas por Hamilton por exemplo que o acusou de ter sido demasiado agressivo. Quando a McLaren lhe der um carro mais competitivo e quando o jovem piloto assentar de vez irá lutar por vitórias.

Admitimos que Hulkenberg neste momento é mais completo e está acima de Perez, merecendo inclusive uma equipa melhor que a Sauber para mostrar o seu talento. Mas o potencial de “Checo” é grande e se ele tiver força mental para o mostrar, poderá ter o seu espaço na história da F1. Se conseguir passar por esta fase menos boa, tem tudo para ser o homem certo no lugar certo. O tempo nos dirá. 





Fábio Mendes

quinta-feira, 21 de março de 2013

Memórias do "Chefe" *



Há memórias que ficarão connosco para sempre. 
Recordações de momentos da nossa infância que, embora turvadas pelo passar dos anos, ficam para sempre guardadas.

Uma dessas recordações é a imagem dos domingos de tarde passados a ver a Formula 1.
Lembro me de estar a olhar para a televisão e de gostar do carro branco e vermelho que costumava ganhar quase sempre. 

Lembro-me de gostar do Senna. 

Lembro me de esse gosto perdurar até ao dia em que sentado, a ver a F1, via o carro do Senna embater conta um muro. “Não foi nada” pensava eu. Afinal já tinha visto muito pior e o resultado era sempre o mesmo. O piloto saía do carro, a corrida continuava e ficava tudo bem. Daquela vez não. 
O Senna não saía do carro. Cada vez mais gente à volta dele. E passado largos minutos, o boato que Senna estava morto. Não podia ser! Pouco tempo depois a confirmação. Os dias que se seguiram foram inundados com as imagens do funeral. Tenho de ser sincero... Depois desse dia, a F1 para mim morreu um pouco. 

Não era a mesma coisa sem o Senna.

Os anos passaram e o interesse da F1 foi voltando a crescer. Até que num dia 1 de Maio “ passeando” pela net lembro-me que foi naquele dia que Senna morreu. E começo a ver vídeos. Do acidente, das vitórias, das conferências de imprensa. Seguem se os documentários, os textos. Queria saber mais e mais. O passar do tempo já me permitia ver mais do que o carro vermelho e branco a ganhar. Já conseguia entender o talento do piloto. Admirar o carácter, a força, a determinação do ser humano. 

O Senna passou a ser Ayrton Senna, o melhor piloto de sempre.

Deixou de ser o Senna, que ganhava quase sempre, para o Ayrton Senna dos 161 GP, das 41 vitórias, das 65 poles, dos 80 pódios, dos 3 campeonatos do mundo. O Ayrton Senna, que tinha tudo para ter uma vida fácil, mas quis vencer com mérito. Que usou determinação, coragem, disciplina, elevação espiritual para crescer, melhorar e vencer. O homem para quem ganhar era tudo. Passou a ser um génio do volante e uma fonte de inspiração para muitos.

Com ele voltou a verdadeira paixão pela F1. O entender da dificuldade de conduzir um carro, quando tudo acontece em fracções de segundo. O perceber da necessidade de uma capacidade de concentração fora do normal para aguentar 60 voltas, dentro de um espaço demasiado pequeno, enfrentando temperaturas elevadas e mesmo assim conseguir dominar um carro que é um hino à tecnologia, à ciência e ao desenvolvimento, mas ao mesmo tempo um animal selvagem, que não se deixar subjugar facilmente.

Procurando no dicionário o significado da palavra ídolo, entendo que é muito difícil explicar o que se sente quando se admira uma pessoa. Mas então surge uma frase que o próprio Ayrton Senna disse: “ Não tenho ídolos. Admiro dedicação trabalho e competência”. 

Tanto anos depois da sua morte, Senna continua a ensinar. Será melhor então ver Ayrton Senna como um exemplo, ao invés de um ídolo (seria provavelmente o que ele preferiria). Obviamente que é impossível não ter admiração por ele.

Por tudo que deu e por tudo que mostrou, Ayrton Senna será uma figura incontornável do desporto mundial. Alguém disse uma vez que apenas se morre quando o mundo se esquecer de nós. Parece me lógico dizer então que Senna estará sempre vivo.

Interessa pois festejar e reviver a vida de Senna. Esquecer por instantes o momento fatídico e deliciar-mo-nos com a lembrança do seu talento, do seu carisma. Lembrar um homem que se dedicou a 100% a um objectivo... O de ser o melhor. E que com muito esforço e determinação conseguiu. Um homem que deixou um legado imenso, uma legião de fãs por todo o mundo. Um homem que ultrapassou muitas vezes aquele que era considerado o limite. Alguém que mostrou ao mundo que a F1 é muito mais do que um carro a andar depressa num circuito. Não era perfeito, nem nunca fez questão de o ser. Era a sua honestidade que conquistava as pessoas. Não é fácil definir Senna. Mas também penso que não é preciso. Quem viu (e quem vê, pois a Internet permite reviver esse grandes momentos), consegue entender a complexidade e a profundidade do homem e do piloto. Há imagens que valem por mil palavras. E Senna num carro... Vale muito mais que mil palavras. Vale um sorriso no rosto e uma admiração enorme.


Possa o seu exemplo servir para nós e para as gerações futuras.

"Seja você quem for, seja qual for a posição social que você tenha na vida, a mais alta ou a mais baixa, tenha sempre como meta muita força, muita determinação e sempre faça tudo com muito amor e com muita fé em Deus, que um dia você chega lá. De alguma maneira você chega lá."
Ayrton Senna

Obrigado Ayrton.
Parabéns Senna

 * Rubens Barrichello ainda trata Ayrton Senna por Chefe. 
Aproveitamos esta simples palavra para demonstrar o nosso carinho por Senna.



Fotos e Vídeo:
www.motortatts.com.au
blogdomajestoso.blogspot.com
veja.abril.com.br 
Antti Kalhola



 
Fábio Mendes

quarta-feira, 20 de março de 2013

O apelo dos motores

Há muita gente que não consegue perceber o apelo pelos motores. Sejam carros, motos, camiões etc. para muitos é apenas um agregado de sistemas mecânicos que em sintonia permitem a deslocação e tração. Uma ferramenta de trabalho ou divertimento como outra qualquer.



Para essas pessoas não vale a pena tentar fazer entender o prazer de conduzir. O sorriso em cada aceleração, o gozo em cada redução, a sensação em cada curva. O dominar da máquina, o sentir-se em controlo de um mecanismo poderoso.

O gosto pela tecnologia, pelo ultrapassar dos limites, do atingir novas fronteiras. O gosto pelas corridas sejam elas de que categoria forem, com homem e maquina numa tentativa de associação e complementaridade para atingir o objectivo que é comum a todos. Vencer. Essa busca pela perfeição que provoca admiração e nos faz idolatrar certas pessoas.  

  

E se calhar o culminar de tudo isso… a relação com a máquina. Uma peça metálica que se torna importante para nós. Porquê? Como diz Jeremy Clarckson, porque essa peça metálica tem falhas. Manias. Defeitos. É esse afastamento da perfeição mecânica que lhe confere carácter. Que lhe dá um ar mais “vivo”. Porque o falhar é também inerente do ser vivo. E essa entidade inanimada que falha, que acelera de uma certa forma, que curva de uma determinada maneira,  que tem particularidades próprias, vai vivendo connosco o dia a dia. Nos bons e nos maus momentos. Vive connosco e nós aprendemos a viver com ele. Como se de uma relação de amizade se tratasse, não usando o sentido literal da palavra.



Tudo isso nos faz olhar para essas máquinas de outra forma. Tentar explicar porquê, torna-se demasiado complexo. 

Vendo o Documentário/ filme “Love the beast” ( http://www.imdb.com/title/tt1284028/ ) com Eric Bana a contar-nos a sua historia com um Ford Falcon XB Coupê podemos, se calhar, entender um pouco melhor isso.

Para quem não gostar pode ser tempo desperdiçado. Para quem entender a paixão pelos motores poderá entender o que sente quando vê um carro de competição ou simplesmente um carro.
  
Altamente recomendado.



imagens: 
http://www.motorsportretro.com/wp-content/uploads/2009/07/1236637275Bana.jpg
http://photos.evo.co.uk/images/front_picture_library_UK/dir_642/car_photo_321049_7.jpg

Fábio Mendes