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quarta-feira, 10 de setembro de 2014

"Fim de uma Era"

foto: Getty Images
Hoje foi oficializado aquilo que já há muito tempo se desconfiava: Luca di Montezemolo vai abandonar o cargo de presidente da Ferrari.
Não achamos estranho esse facto, até porque 23 anos como presidente de uma empresa, que é aquilo que a Ferrari é, será motivo de festa. O que nos levanta grandes dúvidas, pelo menos a mim, é o facto de no passado fim-de-semana, Montezemolo falar aos jornalistas e negar por completo os rumores do seu afastamento. Para além de ter confirmado a mesma dupla de pilotos, escolhida por ele, para 2015.

quinta-feira, 17 de abril de 2014

Ferrari: O inicio de uma nova era, ou mais um tempo de espera?

Foi com algum espanto (pouco, admito) que recebemos o anúncio da saída de Domenicali da estrutura da Ferrari. A situação do italiano não era a mais fácil dentro do grupo e o descontentamento de Montezemolo ficava cada vez maior a cada volta do novo Ferrari em pista.

Domenicali, que era o rosto mais visível da estrutura, teve de se demitir. O seu historial também não o favorece muito.

Na equipa desde 93, passou a chefe em 2008, aquando da saída de Jean Todt. Nesse ano ganhou o título de melhor construtor, mas o de melhor piloto escapou por entre os dedos de Massa, na última curva de Interlagos, com Hamilton a vencer o título.
No ano a seguir, com os novos regulamentos, a Ferrari ficou-se pelo 4º lugar dos construtores num ano em que começou o declínio da equipa (1 vitória apenas para Kimi).
2010 seria  inicio da hegemonia Red Bull, com Vettel a ganhar o primeiro de 4 títulos seguidos segundado por Alonso a curta distância (4 pontos) com o 3º lugar no campeonato de construtores.
2011 foi mais do mesmo, com Alonso em 4º e a Scuderia a ficar-se pela 3ª posição, assim como em 2012, com Alonso a ficar-se mais uma vez pela 2ª posição, tal como a Ferrari. 2013 outra vez Alonso em 2º, com a Ferrari a ficar-se pelo 3º.

Estatisticamente, este anos de Domenicali não foram muito maus. Foram no total 74 pódios, com 20 vitórias. Contas por alto dá 12 pódios por ano e 3 vitórias por ano. Números suficientes para garantir títulos.

O problema de Domenicali é que durante o seu reinado viu uma Brawn que aproveitou como ninguém os novos regulamentos em 2009 e ganhou uma vantagem enorme para vencer e a partir de 2010 viu uma Red Bull dominante, que não deu hipótese a ninguém. Nunca a Ferrari soube dar resposta nestes confrontos. Mais ainda, a Ferrari nunca conseguiu fazer um carro que fosse indiscutivelmente bom. Todos os anos a Scuderia aparecia com esperanças renovadas e com perspectivas de um bom carro, mas nunca confirmando isso. O caso mais grave foi o do ano passado. O carro era bonito, parecia ter um potencial excelente e por algum motivo nunca cumpriu o que prometeu.

A grande verdade é que, o que salvou Domenicali durante este tempo todo foi Alonso, que andou a passar cheques que a Ferrari não podia pagar. O talento do espanhol fez a Ferrari sonhar com aquilo que teoricamente era quase impossível. O campeonato de 2012, decidido na ultima corrida é um exemplo disso. Só um Alonso em grande forma permitiu que a Ferrari fosse tão longe. O carro? Era fraco. O McLaren era francamente melhor e só a falta de fiabilidade impediu Hamilton/Button de lutar pelo título até ao fim.

É este peso que Domenicali carrega. Nunca ter dado, a um dos melhores pilotos de sempre um carro à altura do seu talento. De ter feito da Ferrari a eterna segunda, desenrascando melhor que se esperaria. E este ano o caso é mais grave. Ter Alonso e Kimi na mesma garagem é de sonho. A obrigação de uma equipa que consegue este line up é ter um carro que, no mínimo, lute pelo pódio, ainda mais a Ferrari com os recursos que tem. Mas neste momento o carro não dá para muito mais que um 5º lugar. Na última corrida, Alonso festejou energicamente (e ironicamente) um 9º lugar. Foi a gota de água.

Montezemolo, qual dono de um clube de futebol, deve ter forçado a saída de Domenicali. Mas o efeito chicotada psicológica não se fará sentir na Ferrari, como se sentiria num clube. O substituto escolhido é Marco Mattiacci, presidente da secção norte americana da Ferrari. Ou seja alguém sem experiência na F1. Será o braço direito de Domenicali, Antonello Colleta, a assumir a liderança enquanto Mattiacci não se adapta ao novo papel.

Vantagens nesta mudança? À primeira vista zero. Sai um homem que conhecia a casa, conhecia o carro e provavelmente o que fazer para o melhorar, para entrar um homem que até ver, sabe tanto de F1 quanto nós. Ao contrario da entrada de Pat Symonds na Williams, que trouxe benefícios visíveis, esta entrada nada traz de novo. O mais lógico seria fazer sair Domenicali no final da época. A meio torna-se complicado, pois fica o barco sem capitão, o que é pior do que ter o capitão fraco.

Parece claro que as agulhas começam a apontar para 2015. A evolução do carro está a ser lenta e os problemas só serão resolvidos a longo prazo. O que significa que a Ferrari não vai vencer mais uma vez. E para Alonso deverá ser o fim da linha na Ferrari. Ele quer mais um título, sabe que tem qualidade para isso, mas tem estado numa equipa que não lhe dá o material necessário. É cada vez mais falada a hipótese do espanhol ir para a McLaren. E Kimi? Bem esse terá de esperar pelo o próximo ano para voltar a sonhar com um título. Este ano será de aprendizagem e nova adaptação a uma casa que conheceu em tempos mas que mudou entretanto.

É Domenicali culpado por estes maus resultados? Tem de ser. O chefe é mesmo isso. Aquele que assume as responsabilidades quando as coisas não correm bem. Será o único culpado? Claro que não e provavelmente a culpa maior nem está nele mas uns degraus acima na cadeia de liderança. Merece esta saída da F1? Não. Pelo que fez e pela sua postura, merecia ficar até final e tentar algo mais. Será este um virar de página da Ferrari? Este ano não. Mattiacci veio colocar um nome numa posição, mas não vem acrescentar qualidade. O nome que poderá entrar como chefe e que realmente começará uma nova era deverá estar reservado para o próximo ano. Brawn? Bob Bell, que saiu recentemente da Mercedes? Ninguém sabe. Mas que a Scuderia precisa de um nome forte na frente da equipa, isso sem dúvidas que precisa.


 fontes:
http://economico.sapo.pt/
http://autosport.pt/
http://www.motorsport.com/
http://www.statsf1.com/

fotos:
retiradas de google.pt


Fábio Mendes

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

E se Kimi for mesmo para a Ferrari?

Nos últimos dias tem sido recorrentes os rumores que dizem que Kimi Raikkonen vai trocar a Lotus pela Ferrari. Como não há fumo sem fogo é pois necessário começar a considerar seriamente essa hipótese.

Kimi na Ferrari faz sentido?

Do ponto de vista de Ferrari a escolha faz todo o sentido. A equipa tem dinheiro (muito dinheiro) mas os resultados não aparecem. Uma mini revolução tem ocorrido em Maranello, inicialmente a nível de infra-estruturas com melhorias e um novo túnel de vento, que tem causado muitos problemas até agora. De seguida o reforço do departamento técnico com James Allison, que deixou a Lotus para se juntar a Pat Fry (outro grande nome) e companhia formando, provavelmente a par da Mercedes, a melhor equipa técnica da F1. Com reforços em todas as áreas estratégicas falta reforçar apenas uma. Os pilotos. Alonso é do melhor que há mas Massa, desde 2009 que nunca mais convenceu ninguém e está certamente na porta de saída. Obviamente que ficando um lugar vago há duas hipóteses: Ir buscar um jovem piloto com margem de progressão e fazer com que ele cresça com a equipa; Ou ir buscar um piloto feito que permita resultados imediatos. E a Ferrari quer / necessita de resultados imediatos. O avultado investimento não pode cair em saco roto. E de todos os pilotos, qual é aquele que é sinónimo de resultados? Kimi Raikkonen obviamente. E assim a Ferrari faz uma jogada estratégica e de marketing, pois Kimi é também sinonimo de Fãs. O post de ontem de Pedro Mendes sobre a dupla maravilha continua a fazer todo o sentido, embora os envolvidos passem a ser Alonso e a Ferrari em vez de Vettel e a Red Bull. Tudo o resto é igual. O choque de egos (que até será maior com Alonso do que com Vettel), a vontade de criar uma equipa dominadora que vem de uma fase menos boa. A ideia pertinente que o post encerra faz ainda mais sentido na Ferrari.

Poderá dar-se o caso também de Kimi ser o substituto de Alonso na Scuderia. O descontentamento do espanhol é visível. Talento tem para dar e vender e o carro não o ajuda a ganhar. E o ambiente pode estar a azedar em Maranello, visto as ultimas declarações do presidente da Ferrari. E assim seria Alonso a fazer companhia a Vettel. Mas o alemão já disse que Alonso não é o seu preferido e por certo a Red Bull não quererá ver o seu tri-campeão do mundo descontente com a opção do seu colega de equipa, embora publicamente Horner tivesse dito que a escolha não depende de Vettel. Para alguns entendidos esta é a mudança mais provável, caso Kimi vá para a Ferrari. Pessoalmente não acho que o seja pois Alonso tem um ego muito maior que Kimi e viu-se pela convivência que teve com Hamilton na McLaren que não é um piloto fácil quando as coisas não estão do seu agrado ( embora a experiência e a idade do espanhol já permitam outro tipo de comportamento). Trabalhar com Kimi parece assim menos complicado para a Red Bull. E a Ferrari não quererá despachar o piloto que melhor se tem exibido nos últimos tempos e que tem garantido resultados mesmo quando o carro não o fazia prever. A minha a opinião pessoal caso Kimi vá para a Ferraril é o cenário descrito mais acima no qual se junta Alonso na Scuderia, para permitir resultados imediatos e como tal seguirei com essa linha de raciocínio no post.

Qual será o melhor desafio?

Há o aspecto pessoal do piloto. A mudança para a Red Bull seria um passo seguro. A Red Bull deve ser neste momento a equipa que melhor trabalha. E ir para lá seria quase pela certa sinónimo de vitórias. O único ponto de interesse seria ver se conseguiria suplantar Vettel na sua própria casa. O desafio Ferrari é bem maior. É necessário primeiro desenvolver o carro, depois começar a ganhar e fazer frente a Alonso (que para muitos é melhor que Vettel). Seria um desafio parecido ao que Hamilton assumiu quando foi para a Mercedes, com o extra de ter de lutar com Alonso na sua casa, onde é dono e senhor. Se Kimi conseguisse isso seria uma vitória pessoal tremenda, ele que foi o ultimo campeão pela Ferrari. A motivação no caso da ida para a Ferrari seria muito maior assim como a dificuldade do desafio.

O que esta troca implica para os outros pilotos?

Em relação ao efeito dominó nesta mudança? É provável que tenha um desfecho que nos agrada mais. Isto porquê? Se Kimi for para a Ferrari implica que Ricciardo irá para a Red Bull (muitas interrogações sobre o rendimento do australiano, se subir para a equipa principal). Ou seja, fica uma vaga na Toro Rosso, uma vez que Vergne é para manter. E Tost, chefe da Toro Rosso, já veio dizer que Félix da Costa é um dos fortes candidatos ao possível lugar vago. E depois há o lugar deixado vago por Kimi na Lotus, cujo principal candidato ( no nosso entender) parece ser Hulkenberg, dadas as dificuldades da Sauber a nível financeiro.

Em resumo,  teríamos Félix da Costa a mostrar o que vale na Toro Rosso, Hulkenberg na Lotus que a nosso ver seria o passo ideal para o alemão mostrar o seu valor. Há ainda o caso Di Resta que tem vontade de dar o salto. Mas é de ter em conta que a Force India está a apostar também no reforço de condições a nível de infra-estruturas com um investimento feito recentemente nesse sentido, a fim de se poder afirmar definitivamente na F1, subir mais um degrau e começar a fazer verdadeiramente frente às equipas grandes Para isso tem de manter uma boa dupla de pilotos e não seria de estranhar se Di Resta ficasse mais um ano com a promessa de ver as suas possibilidades de vencer aumentadas.

Caso Kimi vá para a Red Bull, as possíveis movimentações implicariam a entrada de um novo piloto para a Ferrari ( Hulkenberg, Di Resta ou Bianchi até) e para a Lotus ( Hulkenberg e Di Resta outra vez) com a Toro Rosso a manter a dupla. Neste caso as possibilidades de Féliz subir à F1 seriam quase nulas.


Tudo isto são meras hipóteses que achamos que fazem sentido.Muita tinta vai ainda correr durante estes próximos tempos e se calhar os cenários aqui propostos não se verificarão. Mas uma coisa parece certa. A decisão de Kimi irá influenciar não só o seu futuro como o futuro de outros pilotos. Ficamos à espera de ver qual será o desfecho, tendo uma esperança que para o ano haja um português no grande circo.


Fábio Mendes

terça-feira, 30 de julho de 2013

Ferrari - O grande ponto de interrogação.

No Inicio da época de 2013 de Fórmula 1, no mês de Março, a Ferrari, com 64 épocas de F1, com 860 Grande Prémios corridos, era, a par da Red Bull, favorita a vencer mais um título de pilotos e quiçá de equipa. Neste momento, não sabemos o que pensar da Ferrari…

No ano passado, Alonso foi extraordinário, com um carro que não dava garantias nenhumas para vencer e Massa foi… nem frio nem quente, nem carne nem peixe. Fazia o que podia e a mais não era obrigado. No fim, Vettel vencia o campeonato na ultima corrida do ano e com apenas 3 Pontos de vantagem para Alonso e a Red Bull vencia o campeonato de construtores na  penúltima corrida com 60 pontos para a Ferrari. Dava que pensar: a Ferrari com um carro fraco  conseguia fazer suar os campeões do mundo, o que aconteceria com um carro no “ponto” e a mesma dupla de pilotos?

A época até começou  nem começou nada mal, com Alonso a fazer 2º lugar na Austrália e na 3ª  ronda, na China, a vencer a prova. No entanto, na segunda corrida da época, na Malásia,
Fernando Alonso desistiu e o melhor que a Ferrari conseguiu foi o 5º lugar de Massa. No Bahrain, pior ainda, com Alonso em 8º e Massa em 15º. Corrida em Espanha, numa pista abrasiva para os pneus, em que se fizeram nada mais nada menos que 82 pit stop´s e Alonso era rei e Massa fechava o pódio, mas foi a última corrida que deu para sorrir. O Mónaco vinha a seguir e Massa bateu 2 vezes no mesmo sítio, sozinho, uma vez nos treinos livres outra bem pior, na corrida. No final conclui-se que foi um problema de suspensão, mas para a equipa era o começo de uma dor de cabeça interminável. Na primeira corrida no continente americano, no Canada, Alonso ainda deu luta a Vettel, ficando em 2º, mas notava-se que o Ferrari não estava bem, parecia o mesmo carro do ano passado. Sabe-se agora que na Hungria, os Ferrari eram 0,4 segundos mais lentos que os Red Bull, não conseguindo chegar aos calcanhares dos Lotus, que eram, das equipas da frente, os carros mais lentos no inicio de 2013.

Mas qual será o problema?
Nós só podemos supor que: a Ferrari não alterou profundamente o carro do ano passado a pensar nas mudanças para 2014,ou a base de trabalho é complicada de trabalhar e tem dificultado as evoluções ou a dupla de pilotos não está bem. Nem será a dupla, será Massa, que na paragem entre a Alemanha e a Hungria, veio várias vezes dizer que não tem medo de perder o lugar na Scuderia. Sabemos, por experiências passadas, que o que se jura a pé juntos hoje, na F1, amanhã já não é verdade…

Alonso, nos festejos do seu 32º aniversário, recebeu uma chamada telefónica importante, do “patrão” da Ferrari, Luca Di Montezemolo, que para além de lhe desejar os parabéns, torceu-lhe a orelha, devido às últimas declarações do piloto no final do GP da Hungria. O espanhol disse aos órgãos de comunicação social, que o presente ideal para ele era outro carro. Surgem rumores de Alonso poder ir para a Red Bull em 2014, mas Vettel questionado acerca de quem preferia para colega de equipa, afirmou que preferia Raikkonen. Sabemos também, que a Ferrari tem actualmente uma das melhores equipas técnicas do paddock, que dará confiança no próximo carro, mas no nosso entender falta um bom 2º piloto para 2014. A solução poderá estar na “cantera”, em Jules Bianchi, actual melhor piloto da Marussia ou numa ida ao mercado para ir buscar Di Resta ou Hulkenberg.

Mas isso somos nós a dizer…




Pedro Mendes