terça-feira, 28 de outubro de 2014

José Maria Lopez – Chegar ver e vencer, tal como a Citroen.

foto: XPB Images
“Pechito” Lopez, como é conhecido no mundo do automobilismo, sagrou-se campeão do WTCC no passado fim-de-semana. As prestações e a regularidade do argentino, aliadas à enorme qualidade do carro que a Citroen lhe colocou à disposição, foram mais que suficientes para ficar com o ceptro.

A carreira de Pechito vem dos tempos dos Karting como acontece com a maioria dos pilotos. Passou pela Formula Renault 2000 Eurocup, Formula Renault italiana, onde deu nas vistas sagrando-se campeão à frente de um tal de Kubica e Formula Renault V6, tudo isto entre as épocas de 2001 a 2005.


Ainda alinhou no GP2 pela DAMS, e foi ainda piloto de testes Renault, pertencendo ao programa de desenvolvimento da equipa de 2004 até 2006. Ainda foi um dos pretendentes à vaga da US F1, o famoso projecto que muito prometeu mas que acabou antes mesmo de começar. Com contracto assinado com a US F1 e com uma situação pouco clara, Lopez negociou a rescisão para poder assinar pela Campos Racing, mais tarde chamada de Hispânia, mas Karun Chandhok ficou com o lugar deixando Lopez sem assento para 2010.

Entre 2006 e 2010, Lopez começou a mostrar serviço nos Turismos, no American Le Mans Series e em TC2000 na sua terra natal. Foi exactamente nos TC200 onde foi mais feliz vencendo a competição por 3 vezes (2008, 2009 e 2012).

Foto: XPB Images
Em 2013 fez uma corrida no WTCC, na Argentina, vencendo na categoria dos privados na primeira corrida e ficando em 1º lugar na segunda corrida, completando o brilharete.

Foi aposta da Citroen em 2014, mas poucos esperavam que se impusesse a nomes como Muller e Loeb. Lopez era visto como o “suplente que pode dar muito jeito”, mas nunca ninguém suspeitou que iria dar lições ao Sr Muller, o grande favorito para 2014. Loeb, em adaptação, estaria no mesmo nível de Lopez, embora o currículo do francês fizesse esperar que que ficasse à frente do argentino.

Logo desde inicio que Lopez tratou de mostrar que não vinha para brincar e rodou sempre nos lugares da frente, sendo rápido, consistente e marcando muitos pontos a cada jornada e sendo quase sempre melhor que os colegas de equipa. Apenas por duas vezes falhou os pontos e tem no seu currículo 8 vitórias e 16 pódios em 2014. Números expressivos, que reflectem bem a vantagem de 117 pontos para Muller (que ainda não deve ter parado de tomar antiácidos).

Foto: XPB Images
A prestação de Lopez está ao mesmo nível da Citroen. Uma entrada esmagadora no WTCC. Projecto bem montado e planeado, com vontade de chegar e mostrar domínio desde início. Se compararmos com a atitude da Honda, que continua sem se assumir e sem assumir um compromisso sério com os pilotos e com a modalidade, vemos bem a diferença na filosofia adoptada. A Honda tem capacidade e conhecimentos para fazer igual à Citroen, mas a pouca vontade em investir dá nisto. No ano passado foram ultrapassados pelos Chevrolet e este ano pelos Citroen, num ano onde teriam de ser favoritos à vitória. Parecem acomodados com o rótulo de segundos.

O cenário para a Honda não parece estar a ficar melhor. Há vários rumores que apontam para entradas no WTCC, que com os novos regulamentos ficou mais apelativo para outras marcas. Se os japoneses não meterem as mãos ao trabalho a sério, será um desperdício de condições e acima de tudo de pilotos, pois a dupla dá garantias de qualidade. A falta de motor foi o grande problema do Civic, cujo chassis era bem aceitável.


Foto: XPB Images
A Citroen seguiu a risca o livro “Como chegar e ganhar à primeira” à risca e merecem por completo os títulos conquistados. Quanto a Lopez, foi uma agradável surpresa. Somos sinceros, não gostamos muito de Muller, que é excelente piloto, mas não nos cai no goto. E este ano, apertado de forma séria, mostrou que também treme. Lopez esteve em grande e tudo indica que possa dar nas vistas, na muito esperada corrida de Macau, mas onde esperamos que o "Kit de unhas" de Monteiro se evidencie mais uma vez, como tem sempre feito. Parabéns ao campeão argentino.




Fábio Mendes


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